Borknagar - Winter Thrice (2016): Não tá quente, não tá frio.


Ah, Noruega! Terra dos vikings, terra do melhor IDH do mundo, terra dos waffles. O que mais esperar de lá?

Bem, se você for metaleiro, já sabe a resposta... Black metal! Daqueles sem dó nem piedade.

NÃO SÃO MAIS UM NA MULTIDÃO

O Borknagar não nega suas origens, mas esses caras são muito mais do que rostinhos sem as pinturas do Kiss limpos na cena black metal.

Longe se ser só mais um grupo na multidão, o sexteto se destacou em trabalhos anteriores ao adicionar linhas vocais limpas e bem diversificadas, sem abrir mão dos tradicionais urros guturais.

Ao conferir essa característica melódica, a banda se torna amigável para os que não são tão fãs desses gêneros mais extremos, como o meu caso.

Entretanto, os ouvintes roots podem não gostar muito...
“Se não tem corpse paint, é pop”, disse o tiozão troo.

É MAIS UM NA MULTIDÃO

Acabei de falar que o grupo não é mais um na multidão, e agora vou me contradizer. Winter Thrice é mais um na multidão.

Tô doidão? Cheirei capim? Estou com síndrome de Caetano Veloso?
Não, caro leitor.
O ponto é: Por mais elogiável que seja essa característica diferente do Borknagar, eles ficam muito presos a esse conceito. Winter Thrice é mais do mesmo na discografia dos noruegueses.

Ouça Urd, lançado em 2012, e compare-o com o álbum atual... É praticamente a mesma coisa. Winter Thrice não inova, não empolga, e não cativa.

GELO, GELADO, CONGELANTE

Ok, ok, ok... Estou pegando meio pesado. Não é um disco ruim. Eu apenas esperava muito mais. O choque de expectativa e realidade pode gerar uma reação desproporcional.

Analisando friamente agora: Winter Thrice fala sobre o frio (pegou o trocadilho?). É uma temática que me agradou muito.
São abordados temas corriqueiros da natureza gélida norueguesa, como o poder do vento, das águas, e das avalanches.
Em resumo, é gelo para tudo que é lado.

Veja o clipe da faixa Winter Thrice aqui, ele é uma bela síntese do álbum. Se você não gostar da música, pelo menos valerá a pena ter observado as sensacionais imagens da natureza norueguesa.
“Para que assinar o Discovery Channel se você pode assistir o clipe do Borknagar de graça no Youtube?”
“Lá fora está frio demais, o que vamos fazer? – Cantar sobre como está frio lá fora.”.

INTERFACES

Winter Thrice não encanta porque comete um pecado mortal. Falha nas interfaces e transições.

Trabalhar com quatro vocalistas já é arriscado, quando se mistura o gutural e o melódico, a chance de dar ruim dispara (a chance de ser épico também).
É justamente nas transições de voz que alguns momentos ficam meio forçados, como se o vocalista mudasse porque todos tem que participar, e não porque a música pedia essa situação.

O outro erro, e dessa vez bem menos tolerável, é a interface entre os estilos. O conjunto mescla pitadas de black metal dentro de um álbum predominantemente metal progressivo. Só que o volume é praticamente o mesmo nos momentos de explosão e nos momentos de calmaria, não causando a emoção que deveria.
E a guerra dos volumes já nos ensinou isso... Se não há vales, não há picos.

Os bons momentos ficam por conta de Panorama (de longe a melhor) com seu refrão grudento, e Cold Runs the River com sua pegada bruta.
As demais faixas caminham em uma zona razoável, exceto pelas fracas When the Chaos Calls e Erodent.

UM TRABALHO MORNO

Não congela e não esquenta. Winter Thrice é um trabalho morno.
É um disco difícil de digerir e um repeteco do que já fizeram em outras obras. Pouco agrega à discografia do Borknagar.

Vines and trees, new species on cultivated grounds; planned sequences and astonishing leaps. Everything grows, everything dies.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Borknagar
Ano: 2016
Álbum: Winter Thrice
Gênero: Black Metal / Metal Progressivo
País: Noruega
Integrantes: Baard Kolstad (bateria), ICS Vortex (vocal e baixo), Jens F. Ryland (guitarra), Lars A. Nedland (vocal e teclado), Øystein Garnes Brun (vocal e guitarra), Vintersorg (vocal).

MÚSICAS:
1 - The Rhymes of the Mountain
2 - Winter Thrice
3 - Cold Runs the River
4 - Panorama
5 - When Chaos Calls
6 - Erodent
7 - Noctilucent
8 - Terminus



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Quem usa o Google Plus?

Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

1 comentários :

  1. Li esta resenha somente hoje, conheço tanto Borknagar qto a banda solo de Wintersorg e fiquei pensando : Será que ouvimos o mesmo material ? Borknagar é muito mais que uma banda de Black Metal ou folk, vai além. Trabalhos semelhantes entre este é um anterior? Como assim ? Evidente que o seu estilo continua intacto, porém, as diferenças estão presentes em sua sonoridade, dinâmica e vozes, principalmente. Não vejo este registro como melhor ou abaixo a URD mas sim uma soma a sua intensa discografia. Um dos melhores lançamentos de 2016.

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