Helloween - My God-Given Right (2015): Metal com farofa.


O Helloween é uma banda que dispensa maiores apresentações. A grandeza dos alemães na cena metal, e principalmente power metal, é inquestionável.
Assim como também é inquestionável a falta de consistência deles. Você nunca sabe o que esperar do próximo álbum... Pode ser algo excelente, como The Time of the Oath, ou algo medonho, como o Unarmed.

A CAPA DEU MEDO

Na hora que eu vi a capa do My God-Given Right, o medo veio. A capa é tosca. Excessivamente digitalizada, com sombras mal colocadas, preguiçosa... Parece um trabalho bem amador e feito às pressas. Repare, por exemplo, que todos os bonecos colocados ao fundo são iguais. O autor fez dois modelos, aí saiu copiando e colando como se não houvesse amanhã.

Como eu sou muito dedo-duro, o nome do autor dessa bagaça é Martin Häusler. Aí, como além de dedo-duro, sou curioso, entrei no site dele para ver o seu portfólio...
O cara é um baita fotógrafo! Enfim... Parece que design não é a praia dele, ou então o Helloween pagou muito mal!

O fato é, senti medo da capa, porque se já começaram tão mal assim, logo imaginei que as músicas poderiam estar no mesmo nível e teríamos um novo Unarmed pela frente.

UMA NOTÍCIA BOA E UMA RUIM

Qual notícia que você quer que eu dê primeiro? A boa ou a ruim?
Sobre seu gato, Sr. Schroedinger – Tenho uma notícia boa e uma ruim.

Vou começar pela boa. Sou um cara otimista. A notícia boa é que My God-Given Right está longe de ser um trabalho tão ruim quanto o Unarmed.

Agora é a vez da notícia ruim. My God-Given Right está longe de ser um trabalho tão bom quanto o The Time of the Oath.

UMA VEIA NO POP

Uma tendência notada desde 2010 é uma suavização no som da banda. Eles não fazem aquele power metal tradicional, pelo contrário.
O Helloween recente incorpora vários elementos do heavy metal e adiciona refrãos bastante pegajosos e repetitivos. My God-Given Right não só mantém essa tendência, como a deixa ainda mais evidente.

Não tenho nada contra uma banda deixar seu som mais comercial e acessível. E o Helloween entra em um terreno em que poucos têm coragem de se aventurar... O metal farofa.
Se você não sabe do que estou falando, ouça Def Leppard, o mestre supremo do gênero.

Se você acha que estou exagerando, vá ver o clipe oficial da faixa My God-Given Right. Nele você verá, dentre outras farofadas, uma mulher seminua e armada, no meio de uma guerra que se passa num galpão abandonado, contra robôs abóboras. Ah, os tiros são todos de laser.
Quer mais farofa do que isso?
“Vou me arrepender disso, mas preciso dizer. É mais forte do que eu... Farofento ou não, a voz do Deris é melhor que a do Kiske!!! Pronto, falei. Pode me xingar, eu mereço e eu sei que você quer.”
A proposta da banda é claramente divertir. Eles tocam sem compromisso. E dentro da proposta, o álbum é honesto. Lost in America é o exemplo mais claro dessa proposta. O refrão é quase igual ao de Who is Mr. Madman, do álbum 7 Sinners, e a letra conta a história de uma caótica viagem por Belize, para fazer um show.

If God Loves Rock ’n’ Roll é outra nessa pegada. O que falar de uma letra como “Até mesmo no céu você precisa de um baixo/ De uma guitarra e uma segunda guitarra/ E aqui vamos nós”?

Como toda farofada que se preze, a balada romântica está presente. Falo da boa Like Everybody Else.
De resto, não há grandes destaques. É tudo dentro da faixa do razoável. Living on the Edge é minha preferida... Mas longe de ser excepcional.
Você não acha isso farofa o suficiente? Então veja o clipe todo.

HÁ OPÇÕES MELHORES

Apesar da clara proposta leve e divertida, o Helloween não traz nada de novo. Estamos falando apenas de um disco razoável. Ele cumpre o papel de divertir o ouvinte, mas não é nada que o deixe morrendo de empolgação.

É um bom álbum para quem gosta de uma bela farofada com frango. Mas... Mesmo dentre as farofas, há aquelas que são melhores.

He was a guy who had no education. He never learned to love and now he hates society.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Helloween
Ano: 2015
Álbum: My God-Given Right
Gênero: Heavy Metal / Power Metal
País: Alemanha
Integrantes: Andi Deris (vocal), Markus Grosskopf (baixo), Michael Weikath (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra) Dani Löble (bateria).

MÚSICAS:
1 - Heroes
2 - Battle's Won
3 - My God-Given Right
4 - Stay Crazy
5 - Lost in America
6 - Russian Roulé
7 - The Swing of a Fallen World
8 - Like Everybody Else
9 - Creatures in Heaven
10 - If God Loves Rock 'n' Roll
11 - Living on the Edge
12 - Claws
13 - You, Still of War



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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