Sepultura - Machine Messiah (2017): Também quero ser bacana.


Ouvir falar do Sepultura atual é praticamente ouvir o mesmo mantra de sempre: Blá, blá, blá, era melhor com os irmãos Cavalera, blá, blá, blá, hoje é ruim, Chaos A.D. que era bom, Derrick Green não representa, blá, blá, blá...

É um status quase cult falar mal do Sepultura atual. É a maneira mais rápida de você parecer um metaleiro truezão.
Não precisa nem ouvir os últimos álbuns. Apenas chegue a uma roda, xingue o Sepultura, exalte os Cavalera, e pronto.
Agora você é um cara manjador do metal.

O RETORNO DAS MÁQUINAS

Machine Messiah é o mais novo lançamento dos caras. E se você está no fã clube dos irmãos Cavalera, não precisa nem ouvir. Já pode criticar. Pule para o último parágrafo dessa resenha.

Caso você não seja truezão, siga adiante.
O álbum gira em torno de um conceito à la Deus ex machina (Deus surgido da máquina). A própria capa, obra de Camille Dela Rosa, já deixa isso claro.

Nas palavras do guitarrista Andreas Kisser, a maior inspiração em torno de Machine Messiah é a robotização da nossa sociedade, o conceito de uma máquina que criou a humanidade e agora parece que o ciclo está se fechando, retornando ao estágio inicial. Nós viemos da máquina e parece que é para esse ponto que estamos voltando.

Apesar de ser tratado como um álbum conceitual, eu prefiro chamá-lo de um álbum temático, mais ou menos como aconteceu em Dystopia (2016), do Megadeth.
Talvez essa ideia seja meio vaga, mas há uma sutil diferença entre conceitual e temático. Falei um pouco disso quando escrevi sobre o último do Angra, Secret Garden (2014).
“Conceitual ou não, o tema de Machine Messiah não é lá muito inovador, e sequer apresenta um enredo muito denso ou filosófico. As letras são simples e diretas. Paradoxalmente, isso não parece tornar tudo menos interessante.”
Deus ex machina... Um assunto sempre na moda e nunca batido.

DIVERSAS SONORIDADES

Uma característica marcante do Sepultura (para o bem e para o mal), sempre foi a exploração de diversas sonoridades.
Por mais que às vezes parece que eles tenham se acomodado, Machine Messiah mostra justamente o contrário.

Logo na abertura, com a faixa título Machine Messiah, temos uma atmosfera lenta e arrastada, muito mais para um doom metal. É o Sepultura sendo Black Sabbath (isso é, obviamente, um grande elogio).

Outro grande momento é Phantom Self, em que temos a inusitada introdução com um maracatu misturado com escalas orientais.

Uma pena que em certos momentos o Sepultura fica absurdamente conservador. I Am the Enemy e Resistant Parasites são totalmente sem sal. Só não conseguem superar a chatice de Alethea, que só é salva pela bateria de Eloy Casagrande.

Ainda assim, os pontos altos superam os pontos baixos. E os 46 minutos oferecidos por Machine Messiah caem como uma luva.
É ótimo ver o Sepultura mandando bem e ainda sendo o nosso melhor representante no metal.

RUIM DEMAIS

Já que eu também quero ser bacana e ser bem aceito entre os metaleiros truezões, não posso terminar elogiando o Sepultura, como fiz acima.
Então, esqueça tudo o que eu disse. Considere a partir de agora...

Nossa, que álbum lixo. Aff, volta Max! O Sepultura não existe sem você.
Pior álbum de todos os tempos. Sou mais Roots e Arise. Isso aí não é música. Vou ouvir o novo do Dream Theater, isso sim que é sonzão!!

Lost. I’ve been looking for myself; it haunts me every day. I’m searching for a truth no longer here.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Sepultura
Ano: 2017
Álbum: Machine Messiah
Gênero: Groove Metal / Thrash Metal
País: Brasil
Integrantes: Andreas Kisser (guitarra), Derrick Green (baixo), Eloy Casagrande (bateria), Paulo Xisto (baixo).

MÚSICAS:
1 - Machine Messiah
2 - I Am the Enemy
3 - Phantom Self
4 - Alethea
5 - Iceberg Dances
6 - Sworn Oath
7 - Resistant Parasites
8 - Silent Violence
9 - Vandals Nest
10 - Cyber God



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Sobre o Unknown

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

4 comentários :

  1. Fiquei animado pra ouvir! Vou dar uma conferida assim que enjoar de ouvir Genesis em loop hahaha

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  2. Eu não esperava ver por aqui o mesmo texto de sempre sobre o Sepultura: "fãs que não superaram a saída dos Cavalera e bla bla bla". Acho que pelo menos nos últimos 15 anos, 99% dos textos sobre o Sepultura precisam, necessariamente, reclamar dos fãs que viraram as costas para a banda.
    Eu entendo que o assunto mudança de formação ainda é primordial quando se trata de Sepultura, mas as coisas mudaram um pouco, embora os resenhistas não tenham percebido. As reações aos discos do Sepultura, hoje, são mais positivas que negativas. E isso nem é recente! Acho que começou com o Dante XXI, mas realmente se consolidou com o Kairos. Basta olhar os comentários sobre as resenhas dos três últimos discos (ou até mesmo os cinco últimos). Ainda é possível ver os haters de sempre? Sim, mas são claramente minoria.
    Eu realmente acho que uma parcela considerável dos fãs que nunca aceitaram a mudança simplesmente desistiu e deixou pra lá. Nem comentam mais. E essa não é uma atitude reprovável. Na verdade, o haterismo mudou de lado. Não concordam? Novamente peço que confiram os comentários sobre qualquer coisa que envolva Max, Igor, Soulfly e Cavalera Conspiracy. A maioria dos comentários é puro haterismo.
    Não tenho receio algum de afirmar que os fãs do Sepultura hoje odeiam os Cavalera. Isso faz do Sepultura uma banda singular. Não conheço outra banda cujos membros de sua fase clássica ou áurea sejam tão odiados pelos fãs da mesma. E eu jamais li um texto sobre isso, o que não me espanta.

    Assim como a recepção dos fãs, o disco também foi muito bem recebido pela crítica, o que não é novidade. Alguém consegue citar um disco de Sepultura que tenha recebido majoritariamente críticas negativas? Aliás, críticas negativas sobre discos do Sepultura são raridades. Se li umas cinco na vida foi muito. E olha que, em momentos de absoluto ócio, eu já procurei por tais. E hoje, com o benefício do tempo, podemos perguntar: todos os discos mereciam a boa acolhida? Eu acho que não. Mas parece que o Sepultura precisou ser cuidado, acalentado, protegido dos fãs malvados e true que falavam mal.

    Sepultura foi umas das primeiras bandas que ouvi e virei fã (o Max ainda estava lá). Foi por causa do Sepultura (e algumas outras bandas) que eu virei um "adolescente metaleiro". Achei péssima a saída do Max, como todo mundo, mas mantive as esperanças e comprei o Against. O pavoroso Against. Acho que Derrick Green foi uma péssima escolha da banda. Brinco que é um Blaze Bayley que durou 20 anos (e contando...). Já fui ver o Sepultura ao vivo com Derrick duas vezes (o Igor ainda estava na banda em ambas, então já faz tempo). Não gosto da maioria dos discos lançados na fase Green.
    Com esse histórico, eu fiquei surpreso ao ouvir o Machine Messiah. A crítica elogiou, mas ela sempre elogia. Os fãs gostaram, mas como eu já disse isso também não é novidade. Eu sinceramente esperava mais do mesmo. Acho que é o melhor disco com Derrick nos vocais. Muitas coisas interessantes, como as que foram mencionadas na resenha. Concordo muito sobre os momentos conservadores, como o de I Am The Enemy. Acho que discos que os fãs adoram, como Kairos e Mediator, estão lotados desses momentos. Cheios de riffs genéricos. E por isso eu acho que são discos apenas medianos e não obras-primas como foram chamados por fãs e crítica. Machine Messiah tem bons riffs, ótimos arranjos, boa produção e bons solos (o que não vinha acontecendo, diga-se). O disco é realmente bom. Nem o Derrick conseguiu estragar.

    Enfim, fica aí o meu textão hehe

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    1. Alípio, obrigado pelo "textão"! Rsrsrs...
      De certa forma, concordo com seu ponto de vista de que 99% dos textos são assim, e eu fiz igual. Uma crítica construtiva sempre é positiva, obrigado pelo alerta. Mea-culpa minha de ter caído na isca do "Cavalera x Green"!

      Quanto ao haterismo, sem dúvidas ele vem dos dois lados... É impressionante isso, não dá para entender o que se passa na cabeça de alguns. Um músico não pode trocar de banda e está fadado ao ódio eterno! Hahaha!

      A única parte que discordo um pouco da sua opinião, é quando você comenta que Machine Messiah foi bem recebido. Nas resenhas, críticas, e tal, os comentários até que são bons. Mas no RYM (o meu "guia" para garimpar música), por exemplo, a galera tá detonando o álbum.
      E eu gosto do RYM, porque em geral ele é bem imparcial e mostra uma visão bem geral da recepção de certos trabalhos.
      Parece que houve uma galera que não digeriu muito bem o álbum, mas ninguém conseguiu explicar razoavelmente o porquê.

      Valeu!

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    2. Cara, hoje eu lembrei que tinha escrito esse texto e bateu uma certa noia de ter ficado um pouco mal educado. Ainda bem que não foi recebido dessa forma. Mas de fato é uma crítica construtiva. hehe

      De forma geral eu não tenho problemas com mudanças nas bandas, mas eu sou obrigado a dizer que o caso do Sepultura é um que me incomoda, já faz tempo. Como eu disse no texto, quando o Max saiu minha primeira reação foi lamentar, mas segui apoiando a banda, tanto que comprei o Against. Ouvi muitas vezes esse disco e me lembro que até achei OK (hoje, como já disse, acho péssimo). Saiu o Nation, eu deixei para comprar depois e acabei nunca comprando (e nunca mais compraria um CD do Sepultura novamente). Ouvi o Nation poucas vezes naquela época. Veio o Roorback e eu fiz uma cópia em K7 do CD de um primo. Ouvi mais que o anterior mas não tanto assim. Algo tinha azedado na minha relação com o Sepultura. Virei um saudosista ferrenho da era Max (discos que sempre ouvi com certa frequência) e comecei a achar que o Sepultura nem deveria mais existir. Saiu o Dante XXI, eu baixei, ouvi uma vez, achei uma bosta obviamente e larguei pra lá (hoje eu acho um disco interessante, o segundo melhor da era Derrick). Nesse ponto eu tinha sem sombra de dúvida uma puta birra com "a banda do Andreas". Quando lançaram o A-lex eu sequer ouvi. Voltei a ter contato com o Sepultura fase Green quando a crítica se derreteu pelo Kairos. Hoje sou menos birrento com a banda, mas ainda muito crítico sobre ela e sobre o mundo entorno dela (como ficou claro no meu primeiro texto). Chego a achar que seria melhor se a banda tivesse acabado no Roots, tal qual o Pantera, e evitado toda a eterna briga e picuinha de duas décadas, mas sei que é uma opinião controversa e criticável. Entendo que os caras tenham preferido seguir com a banda. Acho que sou um pouco obcecado com o assunto Sepultura hehe

      Sobre a recepção do Machine Messiah, de fato eu não conferi muito a recepção na gringa. Vi algumas resenhas elogiosas, uma delas um vídeo do Sam Dunn, dizendo que é o melhor disco dessa fase, mas foi isso. Não chequei o RYM realmente. No Brasil, só vejo elogios, com exceção da crítica do Ricardo Seelig, bem fria e enxuta. Quanto ao público brasileiro que acompanha a banda, recebeu o MM como recebeu todos os discos desde o Roorback, com entusiasmo.

      Abraço

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