Deep Purple - Machine Head (1972): Nasce a lenda.


Em 1972 o Deep Purple já não era mais um iniciante. A banda já contava com cinco gravações de estúdio em seu portfólio, e um disco ao vivo. Além de músicas que atingiram um bom destaque ao longo desses trabalhos.
Mas ainda faltava algo para que atingissem o status de estrelas do rock. Faltava. Até surgir Machine Head.

NO MEIO DO CAMINHO HAVIA UMA PEDRA

Tudo conspirava para que o álbum não acontecesse. Era como se houvesse uma maldição em torno do Deep Purple, e qualquer coisa que poderia dar errado, deu. As leis de Murphy foram aplicadas com perfeição.

Machine Head já estava com o planejamento traçado, a banda pretendia gravar o disco em dezembro de 1971. E para isso, o local já estava definido: Seria uma casa de shows suíça, o cassino de Montreux. Em seguida foi alugado um estúdio móvel (pertencente aos The Rolling Stones) e foram feitas as reservas no hotel.

Eis que o primeiro problema surge. Ian Gillan, o vocalista, pega hepatite. Contrariando os médicos, ele segue firme e forte com o projeto, e então o grupo parte para Montreux.
O cassino seria fechado no inverno para reformas, e a banda teria todo o espaço à disposição. A viagem acontece e eles chegam ao cassino, próximos à data da reforma, mas ainda em tempo de ver o último show da temporada, um show de Frank Zappa.
E aí, tá com o seu francês afiado? Não? Eu explico abaixo...

O SINALIZADOR E O IDIOTA

Bem, uma imagem vale mais do que mil palavras. Se você não está com seu francês muito afiado, te explico o que aconteceu. Repare na data da notícia, cinco de dezembro de 1971. Lembra quando falei que a banda pretendia gravar o disco em dezembro de 1971? Pois é, o local pegou fogo durante o show do Frank Zappa! Um idiota disparou um sinalizador, e a fumaça tomou conta do lugar. O status era: Sem feridos (ufa!) e sem local para a gravação.

A saída foi alugar um novo hotel, e com o estúdio móvel estacionado na entrada, o Deep Purple alojou os instrumentos em um corredor e as gravações ocorreram lá mesmo. Totalmente no improviso e certamente deixando hóspedes bem insatisfeitos. Tanto que foram frequentes os problemas com a polícia, decorrentes do excesso de barulho.
“Eu confesso que não veria problema nenhum em curtir um som do Deep Purple enquanto estivesse em algum hotel na Suíça, mas parece que nem todos pensavam assim.”

BLACKMORE E O AUGE CRIATIVO

Se o conjunto não passava por um momento de muita sorte, não se pode dizer o mesmo da inspiração deles. O quinteto estava no seu auge criativo. Ritchie Blackmore assumia a liderança e ditava um estilo mais simples ao Deep Purple. Em Machine Head pode se dizer que a banda fugiu das influências mais clássicas, lideradas por Jon Lord, e assumiu um papel totalmente rock!
Como nem tudo são flores, essa mesma liderança minou a harmonia entre os integrantes, Ritchie estava longe de ser um cara fácil de lidar.

A facilidade para compor era tão grande, que a faixa de abertura, Highway Star, foi criada de forma quase que acidental e até hoje é um dos hinos de qualquer roqueiro que se preze. Tudo começou quando a banda estava em um ônibus e um jornalista perguntou ao Blackmore como eles faziam para compor. O guitarrista respondeu: “Assim...”, e então começou a esboçar os acordes. Gillan, ao ouvir os acordes, emendou a letra. Pronto, de improviso. É dessa forma que começa Machine Head.

E foi assim, aliando simplicidade com criatividade, que nasce o riff de Smoke on the Water. Sem sombra de dúvidas o riff mais famoso da história do rock. Para isso bastaram quatro acordes capazes de inspirar qualquer guitarrista, e uma letra baseada no próprio caos que foi a gravação do álbum, lembrando fatos como a chegada em Montreux, o estúdio móvel e o estúpido com o sinalizador.

Recheado de clássicos e grandes destaques, Machine Head tem a capacidade de prender o ouvinte do início ao fim. Seja com a bela bateria de Ian Paice em Pictures of Home, ou a magnífica introdução de Jon Lord em Lazy. E quando você acha que já viu de tudo, o Deep Purple encerra o disco com a bem-humorada Space Truckin’, quebrando a sobriedade com um inquietante rock intergaláctico de caminhoneiros espaciais. Impossível ouvir sem querer cantar junto os gritos de “come on”!
Pitadas de psicodelia dos caminhoneiros do espaço.

SUBIRAM PARA AS CABEÇAS

Alguns equívocos à parte, como a ausência de When a Blind Man Cries, escrita por Ian Gillan e vetada pelo ego de Blackmore, eles não são o suficiente para apagar o brilho de Machine Head, o disco que elevou o Deep Purple ao estado de lendas do rock. Audição obrigatória, não apenas para os fãs do gênero, mas para qualquer apreciador da boa música!

Nobody gonna take my head; I got speed inside my brain. Nobody gonna steal my head; now that I'm on the road again.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Deep Purple
Ano: 1972
Álbum: Machine Head
Gênero: Hard Rock
País: Inglaterra
Integrantes: Ian Gillan (vocal), Ian Paice (bateria), Jon Lord (teclado), Ritchie Blackmore (guitarra), Roger Glover (baixo).

MÚSICAS:
1 - Highway Star
2 - Maybe I’m a Leo
3 - Pictures of Home
4 - Never Before
5 - Smoke on the Water
6 - Lazy
7 - Space Truckin’



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Quem usa o Google Plus?

Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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