Tears of a Clown: As lágrimas de Robin Williams.


"Eu costumava pensar que a pior coisa da vida seria terminar só. Não é. A pior coisa da vida é terminar com pessoas que te fazem sentir só." (Robin Williams)

Quando questionado sobre qual era a sua música favorita do novo disco, The Book of Souls, o vocalista Bruce Dickinson foi enfático e surpreendeu na resposta: Tears of a Clown. Uma canção que foi totalmente escrita pelo baixista Steve Harris.
A música é um tributo ao falecido ator Robin Williams, que se suicidou em 2014, após um histórico de problemas com depressão e vícios.

“Como ele poderia estar tão deprimido se ao mesmo tempo parecia tão feliz?”, foi o questionamento de Bruce.
E é justamente nessa ferida que Steve Harris resolveu tocar ao compor Tears of a Clown. Sem citar nomes, a música vai falando de um cara que sente solidão e, apesar dos sorrisos, está profundamente triste.

Bruce revelou que a banda só foi conhecer a música de Steve Harris no estúdio, já durante as gravações. Até então o baixista não havia contado a ninguém sobre o que (ou sobre quem) seria essa letra.
Quando Bruce terminou de cantar, perguntou ao Steve: “Essa letra ficou muito boa, qual foi sua motivação?”. E Steve respondeu o nome de Robin Williams, na lata.

A reação foi de espanto, até porque tanta especificidade não é uma característica das composições do Iron Maiden. De fato, Tears of a Clown não parece muito uma canção do Maiden, seja por sua letra, ou seja por sua levada.
Nem todo palhaço é feliz...

LÁGRIMAS DE UM PALHAÇO
Totalmente sozinho em uma sala cheia de gente
Ele tenta forçar um sorriso
Seu sorriso irradia, ou pelo menos parece
Mas não chega aos seus olhos, disfarce
Mascara o homem engraçado que então menosprezam

Logo de cara o conceito é de uma felicidade apenas aparente. A solidão é abordada na primeira frase, mas a banda ressalta que ela consegue ser disfarçada com um simples sorriso. E esse sorriso é o suficiente para o sujeito ser considerado um homem divertido, e por isso tudo está bem.

Apesar do sorriso, seus olhos não são contagiados e seria possível ver a tristeza neles. Mas a máscara que ele veste causa menosprezo ao drama vivido (mais pra frente esse menosprezo que o Iron menciona é mais bem compreendido!).

O sorriso falso é a marca do homem
Copo meio cheio ou meio vazio?
Tenta achar algum sentido ou se afogar em mágoas
Tudo parece bem por fora
Mas debaixo da verdade solene
Há algo que dentro está morto
Amanhã vem, amanhã vai
Mas a nuvem continua a mesma
Imaginando por que se sente tão mal
Lágrimas de um palhaço
Talvez seja tudo para melhor
Coloca sua cabeça exausta para descansar
Sempre se sentindo afogado
Lágrimas de um palhaço

A continuação mostra o conflito interno que rola dentro do palhaço. O copo está meio cheio ou meio vazio? Otimismo ou pessimismo? O otimismo parece predominar, por enquanto.
A frase “talvez seja tudo para melhor” mostra que o personagem ainda acredita em uma reação e boa perspectiva futura. Talvez seja só uma questão de descansar a cabeça... Será?
Ei capitão, meu capitão... Talvez seja tudo para melhor.

Quem motiva o motivador?
A fachada tem que ir embora
Ele sabe, cedo ou tarde
Tudo bem, sorrisos para as câmeras
Mas amanhã é outro dia, ele deve superar
Ele percorreu um longo caminho
Então a história segue
Vida cheia de diversão, onde está?
Nós vimos tristeza em seu olhar
E não foi uma surpresa
Agora, óbvio, jamais saberemos

E agora é o fim. Ele já não consegue mais nenhuma motivação, como levantado na primeira frase. Ou seja, aquele otimismo que havia antes já não existe mais.
O sorriso para as câmeras é derradeiro, e quando o Iron Maiden canta que “vimos tristeza em seu olhar”, já estamos falando do suicídio: Esse é o momento em que seu disfarce cai por terra e o mundo descobre sua real condição de saúde nos últimos anos.

O “não foi uma surpresa” mostra que muitos sabiam dessa condição, mas o sorriso fazia com que as pessoas menosprezassem seu estado (vejam que o Iron diz isso na quinta frase da primeira estrofe!).
E por fim, o “jamais saberemos” revela as dúvidas sobre o que o levou a esse estado e atitude tão extrema.

A sensibilidade de Steve Harris ao escrever essa música é fantástica, pois ele toca em um tema muito delicado sem parecer apelativo ou oportunista. Tudo soa como uma homenagem muito justa e uma grande reflexão sobre a depressão, doença muitas vezes subestimada.

Como o próprio Bruce Dickinson declarou: “De algum modo, ele (Steve) sente certa afinidade com o senso de solidão e as coisas que Robin estava sentindo. Há muita especulação na canção, sobre como Robin se sentia, mas você tem a impressão de que algumas coisas são legítimas e muito próximas dos sentimentos de Steve”.

Bem, todo esse papo de palhaço me lembrou de algo muito importante... A breja do palhaço. Servidos?
Depois de tantas lágrimas, reidratar é preciso.

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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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