Sky Architect - A Dying Mans Hymn (2011): A descrição do suicídio.


Uma viagem para outra dimensão! Assim pode ser definido o segundo disco desse obscuro grupo holandês, o Sky Architect. A Dying Man's Hymn é uma obra conceitual, todas as músicas se complementam e o disco vai contando uma única história à medida que avança. A maravilhosa capa, exibindo um garoto em queda livre, já dá uma pista do que está por vir.

C’EST FINI

O álbum narra os últimos instantes de um garoto suicida que decide saltar. As faixas falam sobre as sensações vividas na queda, e os motivos que levaram o garoto ao tal ato desesperado.

Apesar do tema extremamente pesado e sombrio, a levada é suave e tranquilizadora. São poucos os pedaços mais rápidos ou distorcidos. O que era para ser caos e perturbação, na verdade é pura paz.

Essa tranquilidade sonora é importante no contexto do disco. Ela é um contraponto ao ato extremo. A banda tenta passar a mensagem de alívio e calma, como se o salto significasse uma grande libertação e uma experiência de muito prazer.

Um aviso importante aos navegantes, A Dying Man's Hymn está longe de ser um som fácil de digerir. Pelo contrário, a audição precisa ser bastante atenta para que se possa perceber todos os detalhes e sutilezas da obra.
“Falar da morte é manjado. Já narrar o salto de um suicídio é uma grande sacada. O Sky Architect conseguiu explorar um tema diferente dentro desse mar de clichês envolvendo a morte.”.

O GRITO INICIAL, OU FINAL?

Um berro de desespero inicia a primeira faixa, e Treebird puxa uma belíssima introdução instrumental. Na sequência, Melody of the Air - Expositio marca o início do pulo e a descrição do momento.

Frases como “vento nos meus cabelos” e “aproximando-se da terra” deixam claro que já não há mais volta. Ainda assim surgem alguns momentos de reflexão. Há a sensação de liberdade, e em contrapartida surge a dúvida cruel: A decisão foi certa? Esse momento de questionamento é um dos raros pedaços rápidos do disco. Justamente por ser um dos poucos pontos em que há conflito.

A terceira música, The Campfire Ghost's Song talvez seja a construção mais elaborada de todo o álbum, com um brilhante instrumental. Esse é aquele tipo de música feita para sentar, apreciar, e viajar.

Depois, Woodcutters Vile quebra a linearidade temporal, e a banda volta para o passado para contar mais sobre o garoto. Dessa forma é possível entender um pouco das suas motivações e o que o fez saltar. Preciso dizer que tem mulher no meio?

INSPIRAÇÃO NO JAPÃO

Outro destaque é Hitodama's Return. Começando com escalas orientais, é narrado o fim da vida. De acordo com a mitologia japonesa, Hitodama é o nome dado para a libertação da alma. É quando a alma escapa do corpo e voa livre na forma de uma esfera. A música fala desse novo voo (agora não mais em queda livre), e sobre um novo começo.
Talvez você já tenha visto a Hitodama em alguma animação japonesa...

DÁ UMA ENROLADA

Para não dizer que são apenas flores, existem alguns deslizes. O principal deles é o clichê de (quase) qualquer disco de rock progressivo. Muita firula e enrolação. Acordes circulares com pequenas alterações entre os ciclos, e longos trechos instrumentais acabam agregando pouco valor, deixando a audição bem entediante em certos momentos.

Mas, menos mal, são poucos os pedaços assim. Como um todo, A Dying Man's Hymn é uma boa obra.

Feel released; feel free. Feel like being me; without being me.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Sky Architect
Ano: 2011
Álbum: A Dying Man's Hymn
Gênero: Rock Progressivo
País: Holanda
Integrantes: Christiaan Bruin (bateria), Guus Van Mierlo (baixo), Rik Van Honk (teclado), Tom Luchies (vocal e guitarra), Wabe Wieringa (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Treebird
2 - Melody of the Air - Expositio
3 - The Campfire Ghost's Song
4 - Woodcutters Vile
5 - Melody of the Air - Explicatio
6 - The Breach
7 - Hitodama's Return
8 - Melody of the Air - Recapitulatio
9 - A Dying Man's Hymn



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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