Judicator - At the Expense of Humanity (2015): Não é para os fracos.


O Judicator é uma banda bastante recente da cena power metal, mas claramente com fortes influências na geração old school do gênero.
Apesar de a banda ser nova, nasceram em 2012, At the Expense of Humanity já é o terceiro disco do conjunto, o primeiro com a formação de quarteto.

NÃO DÁ PARA FICAR INDIFERENTE

Diferentemente dos trabalhos anteriores, construídos sobre temas históricos, agora o Judicator parte para uma abordagem bem mais pessoal na temática do disco. Em At the Expense of Humanity os norte-americanos relatam a batalha de um jovem contra o câncer.

Falar de um jovem que luta contra o câncer já parece um tema bem pesado por si só, mas tudo ganha um toque ainda mais dramático. Afinal, esse tal jovem é o irmão do vocalista John Yelland.
John se expõe totalmente durante as composições, mostrando todos os seus sentimentos de raiva, desespero, desilusão, medo... Soma-se aos sentimentos de John a dinâmica familiar desse momento, como a reação da mãe deles ao saber do câncer, por exemplo.

Dado esse cenário triste e baseado em fatos reais, é difícil ouvir At the Expense of Humanity e se sentir indiferente.

A TEMÁTICA FOI UM RISCO

Esse conceito do álbum é muito complicado de lidar. Primeiro porque o gênero do power metal é típico para histórias explosivas e vitoriosas. Um cara morrendo de câncer não combina muito com essas características.
O outro ponto, e talvez mais crucial, é que narrar uma história tão pessoal e tão triste acaba andando em uma linha muito tênue entre o emocionante e o melodramático. O Judicator lidou bem com esses desafios.
“A escolha do tema é perigosa. O ouvinte pode encarar um tema tão pessoal de maneira positiva. Mas em compensação, sempre há o risco de tanta exposição soar apelativa e desnecessária.”
Se você esperava um típico e alegre power metal sobre elfos e dragões, se deu mal.

JÁ COMEÇA MOSTRANDO AS CARTAS

Se a primeira faixa é uma introdução morna e sem sentido, God’s Failures chega arregaçando. Nela, é apresentado o contexto: “Você, eu peço sua atenção/ Vou contar uma história sobre um garoto que está crescendo”, “Onde estava deus quando meu irmão morreu?”.
Separei essas duas frases, pois são emblemáticas. Na primeira ele chama a atenção do ouvinte e dá a entender que será contada uma história qualquer sobre um garoto qualquer. Mas logo depois ele já vai direto ao ponto, avisa que deu merda, o garoto qualquer é seu falecido irmão e deus é questionado. Ou seja, a desesperança crônica é instaurada logo de cara.

Quando a história entra na sexta música (Lucid Nightmare), uma longa canção de quase onze minutos, a audição começa a se tornar meio cansativa. E me pergunto se mais de uma hora de disco não seria muita coisa para pouca história. De fato, foi.
Algumas coisas poderiam ser encurtadas e cortadas, por adicionarem pouco valor. Lucid Nightmare, por exemplo, tem um coro sensacional na casa dos seis minutos, mas em contrapartida o resto da música é bem repetitivo. Essa faixa poderia ser perfeitamente excluída do disco e o coro aproveitado em outra música.

O drama familiar ganha forte exposição em Nemesis / Fratricide, a voz do pai surge com uma pegada gutural e anunciando “eu sou o pai deste homem que está morrendo aqui”. Em Life Support é a vez de a mãe aparecer (na voz de Mercedes Victoria), estabelecendo um diálogo com o filho moribundo. O interessante é que ela é a única pessoa que aparenta demonstrar fé em deus (“Ele voltará para nós, deus não nos abandonará/ Eu dei a ele vida e não irei ver meu orgulho e alegria ir embora”).

O LUTO E O ANTICLÍMAX

Tudo finaliza com How Long Can You Live Forever?. Aqui há a redenção com a religião (“Não há razão que possa explicar os desejos da mão de deus”). Se fossemos colocar essa narrativa dentro do modelo dos cinco estágios do luto, entramos agora na fase de aceitação.

O fato é que encerrar esse disco com essa música de quase dez minutos, seguida por outra faixa instrumental, é o anticlímax total.

FALTOU ASSUNTO

Como eu havia comentado anteriormente, é pouco assunto para muita música. Faltou o Judicator condensar um pouco algumas informações, encurtar trechos, e até talvez buscar explorar outros temas que pudessem interessar o ouvinte (sem sair do contexto inicial), como mais questões filosóficas, diálogos com religião, momento do diagnóstico, etc.

Enfim, At the Expense of Humanity vence os desafios iniciais de contar uma história introspectiva em um gênero extrovertido e de não cair no melodrama. Mas tropeça na falta de assunto.

You say I’m angry; I can’t deny. That it’s burning in my veins; but that’s only the symptom.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Judicator
Ano: 2015
Álbum: At the Expense of Humanity
Gênero: Power Metal
País: Estados Unidos
Integrantes: John Yelland (vocal), Jordan Elcess (bateria), Tony Cordisco (guitarra e baixo), Tyler Sherrill (teclado).

MÚSICAS:
1 - A Picture of Fading Light
2 - God's Failures
3 - Cannibalistic Mind
4 - Coping Mechanism
5 - My Fantasy Destroyed
6 - Lucid Nightmare
7 - The Rain in the Meadow
8 - Nemesis / Fratricide
9 - Autophagia
10 - Life Support
11 - At the Expense of Humanity
12 - How Long Can You Live Forever?
13 - Enantiodromia



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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