Kadavar - Berlin (2015): Só que o muro já caiu.


Com Berlin, os alemães do Kadavar lançaram o terceiro disco da discografia deles. Não houve nenhuma mudança de sonoridade muito significativa em relação aos trabalhos anteriores, mesmo com mudanças na banda. O baterista Christoph Bartelt vazou e abriu caminho para Simon Bouteloup assumir seu posto.

PELO MENOS MELHORARAM A CAPA

O primeiro disco, chamado Kadavar, mostrava a foto dos três integrantes na capa. No segundo disco, os três barbudos voltavam a aparecer, e para piorar estavam mais aproximados.

Bem, finalmente fizeram uma capa decente agora! Tudo bem que alguns hipsters devem ter reclamado, eles preferem ver barbas, mas o restante certamente apreciou a mudança.

Além disso, há uma diferença significativa no processo de gravação do novo álbum. Pela primeira vez eles não fizeram as gravações no próprio estúdio e não fizeram o processo de mixagem do som.
Daqui saem dois pontos. Um positivo e um negativo.

SOBE E DESCE

O ponto positivo é que a banda não repetiu o erro de alongar demais as músicas, com partes que simplesmente não servem para absolutamente nada, a não ser encher linguiça. As músicas ficaram mais compactas e muito mais coesas.

A parte negativa... É... Vou tentar ser sóbrio no meu comentário, pois a vontade que tenho nesse exato momento é de xingar muito no Twitter.
Ah, quer saber?? Foda-se. Vou até abrir aspas aqui para destacar os xingamentos.
“Puta que o pariu! Não é possível que o profissional que mixou Berlin, ou que o produziu, ou seja lá o que for, tenha ouvido essa merda... Caralho, o disco está em um nível de compressão tão absurda que simplesmente fodeu com as músicas do Kadavar.”
Pronto. Me sinto mais aliviado agora.
Agora quem tomou goleada foi a Alemanha.

ENTRE MORTOS E FERIDOS

O que mais decepciona em tudo isso, é que Berlin é um álbum com potencial para ótimas canções.
Existem riffs e licks sensacionais, o vocal de Christoph está afinadíssimo, e alguns arranjos ficaram bem interessantes. Por isso imagino que algumas músicas que não funcionaram devido à mixagem, como Last Living Dinosaur, funcionem bem ao vivo, já que nos palcos o volume não será absurdamente comprimido.

Lord of the Sky abre Berlin muito bem, e sem firulas exibe essa versão mais compacta e mais interessante do Kadavar.

Thousand Miles Away From Home, sem o peso e distorção que marcou os trabalhos anteriores dos alemães, é outra música que eu destaco. Ela mostra uma capacidade de inovação que até então não havia sido uma grande característica do conjunto.

Por fim, minhas duas favoritas são Pale Blue Eyes e The Old Man. A segunda, nitidamente mais radiofônica, se impõe pelo ótimo trabalho na guitarra.

O MURO DE JERICÓ

Conta a bíblia que quando Jericó estava completamente fechada pelos israelitas, Deus ordenou que todo o povo gritasse em volta da muralha da cidade. Os gritos foram tão fortes, que tiveram força para derrubar a muralha e libertar Jericó.
As trombetas vieram e o muro caiu.

Berlin é tão alto e tão comprimido, que talvez essa fosse uma utilidade para o disco: Derrubar o muro de Berlim.
Entretanto o muro caiu em 1989. O Kadavar está um pouco atrasado e não consigo achar nenhuma outra utilidade para Berlin.

Uma pena, pois havia potencial para um stoner rock de primeira linha.

I wanna know will you still remember me? When the sun is set behind the fears.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Kadavar
Ano: 2015
Álbum: Berlin
Gênero: Stoner Rock
País: Alemanha
Integrantes: Christoph Bartelt (bateria), Christoph Lindemann (vocal e guitarra), Simon Bouteloup (baixo).

MÚSICAS:
1 - Lord of the Sky
2 - Last Living Dinosaur
3 - Thousand Miles Away From Home
4 - Filthy Illusion
5 - Pale Blue Eyes
6 - Stolen Dreams
7 - The Old Man
8 - Spanish Wild Rose
9 - See the World With Your Own Eyes
10 - Circles in My Mind
11 - Into the Night



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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