Lunatic Soul - Fractured (2017): Dedicação exclusiva.


Para os fãs de Riverside, falar do Lunatic Soul não deveria ser novidade. Trata-se de um projeto solo do vocalista e baixista Mariusz Duda.

O Lunatic Soul nasceu com uma pretensão bem clara, que Mariusz faz questão de enfatizar sempre que possível: “O projeto não representa nenhuma ameaça à continuidade do Riverside, é apenas uma oportunidade que eu tenho de explorar outras avenidas musicais”.

Dito e feito. Gostar de Riverside está longe de significar que você vá gostar de Lunatic Soul, e vice-versa.
São sonoridades completamente distintas, e no caso do Lunatic, uma sonoridade especialmente difícil de rotular.

O SOM

Difícil de rotular, mas fácil de apreciar. Essa talvez seja a melhor síntese possível de Fractured.

A sonoridade é suave, fortemente pautada na música eletrônica. Para quem se acostumou com as belas notas de Piotr Grudziński, ouvir um álbum inteiramente sem guitarras pode dar uma sensação de que falta algo.
O gordinho faz falta!

Confesso que quando vi a descrição do álbum, fiquei desanimado. Duda descreveu o trabalho como fortemente influenciado por Massive Attack, Depeche Mode e Peter Gabriel.
Ou seja, praticamente um repeteco do que foi proposto por Steven Wilson em To the Bone. Pelo menos em teoria.

Liricamente, Duda disse ter se baseado na tragédia pessoal que foi seu ano de 2016 (perda súbita do amigo e guitarrista do Riverside, Piotr).

Dadas as influências e temática, eu não esperava nada além de uma mistura de To the Bone com Radiohead. Isso seria um cenário terrível.
“Mariusz Duda fez o álbum que Steven Wilson tentou fazer em To the Bone. Escreveu as letras que Thom Yorke tentou escrever em A Moon Shaped Pool. Só não teve o hype de ambos.”
A verdade é que o Lunatic Soul conseguiu ser muito competente na sua proposta. E, derrubando a minha expectativa negativa, o resultado foi absolutamente surpreendente.

DEDICAÇÃO EXCLUSIVA

Esse é um daqueles álbuns que para ser bem apreciado, precisa de dedicação exclusiva. Até é legal de se ouvir no trânsito, no trampo, na academia... Mas toda a sua atmosfera pede um sistema de som mais rebuscado.

Pegue sua melhor caixa de som, ou seu melhor fone (sério, não use qualquer fone), e apenas ouça. Sem fazer mais nada.
Sei que em tempos modernos isso é praticamente inviável, mas tente se desligar por uma hora para ouvir esse disco.

Só assim será possível perceber cada nuance e cada detalhe. É tudo muito sutil.

A melhor música é Anymore. Parece uma canção romântica, falando de um casal que não se fala mais: “Eu quero te falar algumas coisas/ Mas você não fala mais comigo/ Eu quero te mostrar os meus desejos/ Mas você não fala mais comigo”.
O baque vem quando você fica sabendo que Anymore é, na verdade, uma canção que Duda fez para seu falecido pai. A partir dessa informação, a letra muda totalmente de contexto e fica bastante forte e emocional.

Outros destaques são Blood on the Tightrope e sua intro psico-futurística, a tensão de Red Light Escape (os efeitos sonoros ficam absurdos em um som estéreo bem dividido), Battlefield e Crumbling Teeth and the Owl Eyes.

MAIS ATENÇÃO

Apesar de gostar muito do Riverside, nunca prestei muita atenção ao Lunatic Soul. Nunca me pareceu relevante. Falha minha.

Fractured pode não ser genial, tem seus defeitos. Por exemplo, a faixa título é um porre de tanta repetição.
Mas são defeitos que não tiram o brilhantismo do álbum. Duda acertou a mão.

No matter how hard you try; to shut down you your feverish thoughts. They hunt you down with no regret; because you have to fix it all.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Lunatic Soul
Ano: 2017
Álbum: Fractured
Gênero: Art Rock
País: Polônia
Integrantes: Marcin Odyniec (saxofone), Mariusz Duda (vocal, violão, teclado e baixo), Wawrzyniec Dramowicz (bateria).

MÚSICAS:
1 - Blood on the Tightrope
2 - Anymore
3 - Crumbling Teeth and the Owl Eyes
4 - Red Light Escape
5 - Fractured
6 - A Thousand Shards of Heaven
7 - Battlefield
8 - Moving On



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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