Joe Bonamassa - Dust Bowl (2011): Para que tanta pressa?


Joe Bonamassa parece incansável. Além do ótimo projeto que ele está tocando no Black Country Communion, o cara ainda tem fôlego para manter sua carreira solo e uma incrível média de pelo menos um novo lançamento por ano.

MENOS É MAIS

Apesar de todo esse pique, vale a máxima de que quantidade não é qualidade. Ou se preferir outro clichê clássico, pode-se dizer que no caso de Joe Bonamassa, menos é mais.

O bluesman sacrifica um pouco seus álbuns em nome desse ritmo frenético. E uma consequência disso é um trabalho inconsistente, que mistura músicas de altíssimo nível, dignas da sua capacidade, com canções genéricas e covers preguiçosos.

A CRIANÇA PRODÍGIO

Sem contrariar as expectativas, Dust Bowl é um belo disco de blues rock, com forte influência da música country.

Repleto de participações especiais, como Vince Gill, John Hiatt e Glenn Hughes, o álbum mostra que Joe já superou o status de criança prodígio da guitarra. A obra é sólida e madura.

MUITOS COVERS

Ao som da bateria, simulando um trem andando sobre trilhos, a abertura é com Slow Train e logo de cara traz uma boa impressão. Dust Bowl começa com o pé direito.

E depois já temos a faixa que dá nome ao álbum. Uma aposta acertada na simplicidade. O riff cria um clima de suspense, enquanto a linha de baixo marca bem a levada da música. Há um ar meio caipira, meio velho oeste. Parece uma trilha sonora para o Red Dead Redemption.
Ah, vai dizer que a trilha não ia combinar!?

Tudo bem, tudo bom. Até começar a encheção de linguiça. Tennessee Plates é a terceira música. Um verdadeiro clássico na voz de John Hiatt.
Joe Bonamassa o convidou e eles cantaram essa música. O problema? Eles a cantaram exatamente como ela sempre foi cantada. Um cover, sem acrescentar nada.
“Qual é o propósito de se fazer um cover em um álbum de inéditas? Se fosse uma versão eu entenderia. Mas um cover? Se é para ouvir algo igual ao original, eu simplesmente ouço o original, e não a cópia.”
E o festival de covers continua em outras canções. Heartbreaker, com participação especial do Glenn Hughes, foi originalmente escrita pelo Free, enquanto que No Love on the Street se consagrou na voz de Tim Curry.
Todas essas músicas estão com a mesma roupagem das originais. Isso dá 25% do álbum. Fica meio absurdo pensar que uma a cada quatro músicas é mero copie e cole.

VERSÕES TAMBÉM APARECEM

Eu gosto de versões. Muitas vezes uma nova roupagem de uma música pode rejuvenescê-la, e até melhorá-la.

Porém, Joe também chuta o balde nesse quesito. A primeira versão é de You Better Watch Yourself, originalmente escrita pela lenda Little Walter... Tudo que Joe Bonamassa fez foi transformá-la em um blues genérico.

A outra versão é o momento constrangedor do disco. Não sei de onde saiu a ideia de fazer o que foi feito com a música Prisoner, interpretada originalmente por (pasme) Barbra Streisand.
Se você não conhece a original, dê uma checada no Youtube. É uma melação de cueca hardcore.
Nada contra, esse é o estilo da Barbra, e as tiazonas curtem. Agora, Joe... Cara... O que foi isso? A versão do Joe Bonamassa só não ficou mais mela cueca porque isso é humanamente impossível. Ainda assim, um horror.

OS PONTOS POSITIVOS

A capa. Esse é um ponto muito positivo! Achei a capa de Dust Bowl sensacional. Ela é inspirada em uma fotografia de Arthur Rothstein, tirada em 1936, durante uma tempestade de areia no estado de Oklahoma.
A foto que inspirou a capa de Dust Bowl.

As músicas inéditas também são um ponto positivo. Apesar do meu momento ranzinza nos parágrafos acima, em que eu meto o pau no álbum, repare que eu só critiquei o material reciclado.

Além das duas primeiras faixas que já citei, temos The Meaning of the Blues e The Last Matador of Bayonne mostrando toda a melancolia do blues, em uma levada lenta, capaz de mostrar o que há de melhor no gênero. The Last Matador of Bayonne ainda conta com a participação especial de Tony Cedras no trompete, para carimbar o clima.

The Whale that Swallowed Jonah quebra o clima blue e adiciona uma pitada de rock e agito. Também é um ponto positivo e mostra um lado mais leve e dançante.

CALMA LÁ, JOE

Em cinco canções realmente inéditas, Joe Bonamassa mostra o porquê de ser considerado um dos melhores guitarristas e compositores da atualidade. Não é exagero. O cara manda muito bem.

Mas sua pressa em lançar um álbum por ano (fora seus 82 trabalhos paralelos) o força a colocar encheção de linguiça no meio do filé. O resultado é um álbum com grandes momentos, e coisas totalmente dispensáveis.

Vai na manha, Joe. Não precisa correr. E se eu comecei meu texto aqui cheio de clichês, preciso ser coerente e terminar com mais um. Então vai lá: A pressa é inimiga da perfeição.

Do you know what means to cry alone? And what means to cry by yourself? Do you know what means to love a woman you can't own? If you do, you know the meaning of the Blues...

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Joe Bonamassa
Ano: 2011
Álbum: Dust Bowl
Gênero: Blues Rock
País: Estados Unidos
Integrantes: Anton Fig (bateria), Carmine Rojas (baixo), Joe Bonamassa (vocal e guitarra), Rick Melick (teclado).

MÚSICAS:
1 - Slow Train
2 - Dust Bowl
3 - Tennessee Plates
4 - The Meaning of the Blues
5 - Black Lung Heartache
6 - You Better Watch Yourself
7 - The Last Matador of Bayonee
8 - Heartbreaker
9 - No Love on the Street
10 - The Whale that Swallowed Jonah
11 - Sweet Rowena
12 - Prisoner



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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