Jack White - Blunderbuss (2012): Um velho novo Jack!


Jack White, um dos últimos nomes a revolucionar o rock, decidiu partir para seu primeiro trabalho solo. A enorme expectativa em cima desse lançamento e a eterna pressão por criar coisas novas (afinal, sempre se espera mais de quem já criou boas coisas ao menos uma vez) parecem não ter pesado na sua cabeça.

O CARDÁPIO É VARIADO

O cara poderia muito bem ter sido mais conservador e lançado um disco feijão com arroz, ele tem crédito para isso e já atingiu uma fase em que apenas o seu nome é capaz de vender qualquer tranqueira. Mas Jack, para manter a rotina, foi além. Arriscou e acertou.
Blunderbuss é uma salada musical, que transita por diversas variantes do rock. É como se o disco fosse fragmentos de tudo que ele já produziu ao longo de sua carreira. E convenhamos, não é pouca coisa.

A fama de bom letrista é corroborada, e novamente o músico se destaca nesse aspecto.
Vou além e digo mais, suas letras estão ainda melhores. O seu assunto predileto continua sendo o mesmo: Elas, as mulheres!
Entretanto o enfoque muda. Enquanto em trabalhos anteriores a mulher era retratada como presa fácil, Blunderbuss mostra o lado cruel e difícil delas.

E é com esse espírito de mulher no controle que a faixa de abertura Missing Pieces dá as caras, contando a história de uma mulher que vai embora levando pedaços de seu corpo (“Às vezes alguém controla tudo em você/ E quando esse alguém diz que não pode viver sem você/ Ele não está mentindo, ele levará os seus pedaços”).
Logo em seguida a excelente Sixteen Saltines fala do dom delas em destruir homens, com pitadas de acidez, humor, e ironia (“Você não pode derrotá-la, e quando a encontrar vai entender o que estou dizendo”). A letra invariavelmente fará com que o ouvinte se identifique com alguma situação narrada.
“Jack White deixa de lado seu estilo pegador garanhão de trabalhos anteriores, e mostra que a sofrência não perdoa nem mesmo os gringos e muito menos ícones do rock.”
Vai dizer que elas não mandam em você?

HORA DOS PRATOS MAIS LEVES

Depois de uma entrada bem apimentada, Jack diminui o tempero. A quarta música marca uma diminuição no peso do álbum. Jack White deixa para trás sua sonoridade mais garageira e mostra uma pegada suavizada. A guitarra dá o lugar de protagonista ao piano. E é nesse embalo que surge um dos grandes destaques do disco, Hypocritical Kiss.

Weep Themselves to Sleep dá uma azedada, é verdade, nela o chef perdeu a mão. Tudo bem, o cardápio rapidamente é corrigido, e na oitava faixa, uma nova guinada no estilo.
Surge uma sequência bem rock & roll. O desafio é ficar parado ao som de I'm Shakin' (há até uma referência ao grande Bo Didley)! Infelizmente esse é o último ponto alto de Blunderbuss, a partir daí parece que o fôlego vai acabando e as músicas já não são mais tão acima da média.

FALTOU A SOBREMESA

Essa esfriada no álbum coincide com mais uma mudança de estilo, que passa a ser quase um folk. A proposta é interessante e admiro a ousadia do Jack de explorar esse cenário. Em contrapartida fica claro que essa não é a praia dele.

Veja, não estou dizendo que a partir daí Blunderbuss fica ruim. Não é isso. Ele apenas desce um degrau. A habilidade do Jack é tão impressionante que mesmo quando ele não acerta tanto, ainda se aproveita algo.
On and On and On é uma amostra desses acertos dentro de erros, nela Jack White assume uma postura reflexiva, enquanto canta suavemente sobre a bela melodia (“As pessoas que estão ao meu redor não me deixarão ser quem eu quero/ Elas me querem o mesmo”).
Nem o próprio Jack escapou da dominação feminina.

ACIMA DA CRÍTICA

Por mais que Blunderbuss tenha um ou outro ponto mais baixo, pode ser considerado um trabalho muito acima da média. É uma obra que conseguiu cumprir o incrível desafio de ficar dentro das expectativas em torno de um nome como o de Jack...
Que venha o próximo!

Sometimes someone controls everything about you. And when they tell you that they just can't live without you; they ain't lyin', they'll take pieces of you.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Jack White
Ano: 2012
Álbum: Blunderbuss
Gênero: Rock Alternativo
País: Estados Unidos
Integrantes: Bryn Davies (baixo), Jack White (vocal, piano e guitarra), Karen Elson (vocal), Patrick Keeler (bateria).

MÚSICAS:
1 - Missing Pieces
2 - Sixteen Saltines
3 - Freedom at 21
4 - Love Interruption
5 - Blunderbuss
6 - Hypocritical Kiss
7 - Weep Themselves to Sleep
8 - I'm Shakin'
9 - Trash Tongue Talker
10 - Hip (Eponymous) Poor Boy
11 - I Guess I Should Go to Sleep
12 - On and On and On
13 - Take Me With You When You Go



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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