Judas Priest - British Steel (1980): Simplesmente punk.


Considerado por muitos como o melhor álbum da história do heavy metal, e por outros tantos como um álbum simplista demais e extremamente superestimado. Esse é British Steel.
O fato é que o sexto álbum do Judas Priest foi um divisor de águas, justamente por sua simplicidade. Ele foi a prova de que a era progressiva chegava ao fim.

O ROCK ERA PARA OS MÚSICOS

Nos anos 70, o mundo, liderado pela Inglaterra, respirava o rock progressivo. As bandas tinham instrumentistas virtuosos, imensos solos instrumentais, composições extremamente complexas... Gostando ou não, a música vivia seu auge técnico. Ter uma banda não era para qualquer um, era necessário ser um bom músico antes de tudo.
Essa tendência foi influência em todo o cenário musical, e tanto o hard rock quanto o heavy metal não escaparam. Basta reparar na complexidade dos discos iniciais do Judas Priest, bem mais elaborados do que British Steel.

Mas, chegou o momento em que o mundo se cansou de tantas firulas. Eis que na segunda metade dos anos 70 o punk chega destruindo tudo (e com apenas três acordes). Essa era a nova tendência da música: Ser fácil.
O cenário do metal, muito influenciado pelo punk, fez a mesma coisa. Discos rápidos, rasgados, poucos solos e acordes. Agora qualquer banda de garagem poderia tocar Judas Priest.
“Antes do punk era necessário ter anos de estudo em música para poder montar sua banda de rock. As coisas caminhavam para uma complexidade cada vez maior. Depois do punk, houve uma explosão de bandas garageiras.”
Chega das aulas de música, é hora de limpar a garagem e montar a banda!

QUEBRANDO A LEI NAS TERRAS DA RAINHA

Breaking the Law, a terceira faixa, certamente se tornou o grande hino do conjunto britânico. E a música sequer tem um solo. Isso tira os méritos da música? Não, nunca! É sensacional, e a chave do sucesso é essa ousadia de fazer o básico.
Duvido você não se empolgar enquanto a banda grita “quebrando a lei, quebrando a lei”.

E foi assim que o Judas Priest quebrou a lei, e os paradigmas de uma geração envolvida pela virtuosidade.

O disco todo é bastante consistente. A pegada bruta é mantida do início ao fim. O vocal rasgado de Rob Halford muito me agrada.
O momento mais questionável, até meio fora de contexto, é o início da faixa The Rage, com uma levada ska. Mas o estranhamento dura pouco e rapidamente as guitarras de Glenn Tipton e K. K. Downing atropelam tudo.

Se você espera encontrar grandes letras, ou mensagens inspiradoras, não se empolgue. O máximo que vai encontrar são coisas como “Estou cansado da rotina/ É hora de ficar chapado/ Peguei uma amostra das boas coisas da vida/ Essa chance que vou levar” ou “Cheguei à cidade por volta de 1 da manhã, carregado, carregado”.

O PUNK CORRE NAS VEIAS DO METAL

O metal nunca mais foi o mesmo após British Steel. Afiado como uma lâmina, ele cortou regras e conceitos.
Então, no fim das contas, esse pode ser o melhor álbum da história do heavy metal? Não. Não é. O próprio Judas Priest tem trabalhos melhores. Mas, historicamente esse álbum é essencial, e, junto como o primeiro disco do Iron Maiden, influenciou fortemente os próximos trabalhos do gênero.

So much for the golden future; I can't even start. I've had every promise broken; there's anger in my heart.



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FICHA TÉCNICA:
Artista: Judas Priest
Ano: 1980
Álbum: British Steel
Gênero: Heavy Metal
País: Inglaterra
Integrantes: Dave Holland (bateria), Glenn Tipton (guitarra), Ian Hill (baixo), K. K. Downing (guitarra), Rob Halford (vocal).





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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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