Sacri Monti - Sacri Monti (2015): Overdose de caos e distorção.


Nascido em 2012, Sacri Monti, o conjunto californiano (de nome italiano), lançou seu primeiro álbum, homônimo à banda, apenas em 2015.
Eu nunca tinha ouvido falar deles antes. Mas, por pura curiosidade, trombei com esses caras na internet e resolvi conhecer. É interessante fazer isso, pois você nunca sabe o que esperar. Às vezes podem ser grandes e boas surpresas. Outras vezes, perda de tempo.

POUCOS SEGUNDOS DE EMPOLGAÇÃO

Staggered in Lies abre o disco com uma levada mais atmosférica, tocada por uma guitarra soltando frases altas e distorcidas.
De repente o clima pesa com a entrada da bateria. Segundos depois, chama a atenção um teclado que surge viajando no meio de tudo.

Nisso a sonzeira já está comendo solta, e eu me empolgando. No meio do bolo um vocal tão distorcido quanto a guitarra surge, lembrando King Crimson em 21st Century Schizoid Man.
Pronto. A empolgação acaba basicamente aí.

SOMATÓRIA INFINITA

Note que na descrição acima, de Staggered in Lies, foi rolando uma progressão de peso. Cada elemento entrou em um momento distinto e se somou com o anterior.

O problema é que não há subtrações. Os instrumentos vão entrando alucinadamente, independentemente do que está rolando na música. E aí, o som vai se embolando inteiro. É distorção sobre distorção, caos sobre caos.
Sem um mínimo de organização a música vira barulho.

Tudo bem que a proposta é um som bem pesado e psicodélico, por isso, longos riffs e passagens mais bagunçadas. Mas mesmo o caos precisa de um mínimo de organização. Por exemplo, na segunda música, Glowing Grey, aproximadamente na metade do quarto minuto há uma guitarra fazendo a base e duas solando.
Sim, duas. Solando. Ao mesmo tempo.

Paradoxos de palavras à parte, cada guitarra faz uma coisa totalmente distinta da outra, e a sonoridade não se encaixa. Parece que está cada um tocando por si e o som fica sem coerência nenhuma.

FALTAM CONTRASTES

Volto a compreender que essa falta de coerência faz parte da psicodelia. Mas calma lá. Quase quarenta e cinco minutos de salada sonora passam da conta do razoável.
O belo está no contraste. Alternar momentos calmos com pesados, bagunçados com organizados... É isso que prende a atenção do ouvinte. E isso só acontece na última música do disco. Não à toa, é o melhor momento de Sacri Monti.

Os pontos de maior destaque, além da faixa de encerramento já citada, são alguns riffs. O de Ancient Seas and Majesties é meu favorito.
Mas sem sombra de dúvidas, o momento mais aguardado é o intervalo entre as músicas, para descansar um pouco o ouvido, e apreciar o silêncio após tanto barulho.
“As pausas entre as músicas são momentos de grande alívio, são os únicos momentos de calmaria no meio das tormentas. O disco leva o ouvinte à exaustão completa.”
Após ouvir o disco três vezes seguidas, a orelha dele ficou assim.

Uma produção mais bem trabalhada certamente contribuiria para uma significante melhora. Dá pra perceber que os californianos tocam bem, e sabem o que estão fazendo. Mas alguns detalhes como o excesso de compressão dinâmica e distorção acabam prejudicando muito a obra.

NÃO DEU BARATO

Concordo que o caos faz parte da psicodelia, mas o excesso causa overdoses. E é isso que acontece com Sacri Monti. Uma dose muito acima do aceitável, e ao invés de ter barato, você passa mal.

Raise your head…

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Sacri Monti
Ano: 2015
Álbum: Sacri Monti
Gênero: Heavy Psych
País: Estados Unidos
Integrantes: Anthony Meier (baixo), Brenden Dellar (vocal e guitarra), Dylan Donavon (guitarra), Evan Wenskay (teclado), Thomas Dibenedetto (bacteria).

MÚSICAS:
1 - Staggered in Lies
2 - Glowing Grey
3 - Slipping From the Day
4 - Sittin' Around in a Restless Dream
5 - Ancient Seas and Majesties
6 - Sacri Monti



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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