Motörhead - Bad Magic (2015): O mesmo do mesmo, e daí?


Tenho quase certeza que uma resenha de duas palavras: “É Motörhead”, seria o suficiente para você saber o que esperar desse álbum, e se vai gostar ou não.
Simples assim.

UM PARADOXO PARA POUCOS

A verdade é que o trio inglês não se cansa de lançar álbuns previsíveis e repetitivos. E então você se pergunta o porquê de estar ouvindo tudo de novo, mas ao mesmo tempo não consegue deixar de ouvir e curtir. É como uma droga.

E o Motörhead é uma das únicas bandas capazes de não se reinventarem e de continuar sendo interessante. Pouquíssimas possuem essa característica... De bate e pronto só me lembro de AC/DC e Ramones. Alguma outra?
“Motörhead é igual comer pizza (ou fazer sexo). Quando está bom, é bom pra caralho. Quando está ruim, é bom mesmo assim”.

UMA DESPEDIDA EM GRANDE ESTILO

Já se especulava que esse seria o último álbum deles. A saúde de Lemmy era o principal motivo do iminente final.
Muitos shows tiveram que ser cancelados, outros foram encurtados, e o lendário vocalista anunciou uma mudança radical em seus hábitos de vida, ao substituir uísque por vodca.

A mudança não surtiu efeito, e Lemmy, que se dizia indestrutível, acabou sendo bruscamente destruído por um câncer.

Por isso, Bad Magic foi a despedida do Motörhead. A banda, muito sabiamente, já anunciou que não continuará.
E apesar do fim, jamais poderemos dizer que ele foi melancólico. O trio se despediu fazendo o que sabia fazer de melhor, lançando um álbum com a potência e crueza que sempre caracterizou o conjunto.

NA MESMA PRAÇA

Surpreender não é algo que se espera do Motörhead, mas mesmo assim os caras trazem algumas mudanças em relação às obras anteriores.

A primeira, e mais notável, é que o vocal de Lemmy, sempre inabalável desde os anos 70, dá sinais de não aguentar acompanhar o instrumental pauleira ao fundo. Ele está mais rouco, em alguns momentos as palavras dão uma embolada, e a falta de fôlego fica clara.
Nada de anormal para um cara que beirava os 70 anos, apesar de toda sua vida saudável e regrada, a idade chega para todos.

Você também poderá encontrar o guitarrista do Queen, Brian May, fazendo uma participação em The Devil. Outra surpresa é a balada Till the End, fugindo das características tradicionais do grupo.
Também há uma versão de Sympathy for the Devil, dos The Rolling Stones. Essa música não agrega muita coisa, soa mais como uma homenagem.

Por fim, o assunto mortalidade nunca esteve tão presente nas letras. Provavelmente Lemmy já vinha refletindo muito sobre seu fim. Mesmo assim, ele deixou bastante claro em Victory or Die que iria até o final, independentemente do que acontecesse, sem tirar o pé do acelerador. (“Veja a estrada como se estivesse em uma maratona/ Esse é o espírito, vença ou morra”).

Enfim, pode-se dizer que a banda andou na mesma praça, mas sentou em outro banco.

APENAS MAIS UM

O Motörhead tem toneladas de discos, e Bad Magic, por bem ou por mal, é apenas mais um. Não houve nada de especial, nenhum diferencial, ou nada capaz de fazer alguma revolução musical.

Ainda assim, você se sentirá bastante satisfeito ao ouvir músicas como Choking on Your Screams, Evil Eye, Thunder & Lightning, Shoot Out All of Your Lights, The Devil...

É tudo o mesmo de sempre, mas e daí? Por algum motivo místico, o Motörhead pode fazer isso e ficar tudo certo.

Look around and see the soldiers, see them marching off to war. Take a careful look as the swing by; they're all heroes but they don't know what they're fighting for. That's the spirit, victory or die!

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Motörhead
Ano: 2015
Álbum: Bad Magic
Gênero: Heavy Metal
País: Inglaterra
Integrantes: Ian "Lemmy" Kilmister (vocal e baixo), Mikkey Dee (bateria), Phil Campbell (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Victory or Die
2 - Thunder & Lightning
3 - Fire Storm Hotel
4 - Shoot Out All of Your Lights
5 - The Devil
6 - Electricity
7 - Evil Eye
8 - Teach Them How to Bleed
9 - Till the End
10 - Tell Me Who to Kill
11 - Choking on Your Screams
12 - When the Sky Comes Looking for You
13 - Sympathy for the Devil



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Quem usa o Google Plus?

Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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