Preoccupations - Viet Cong (2015): Um novato ou uma continuação?


Nota inicial: O título dessa resenha foi modificado no dia 24/07, por uma questão de adequação ao novo nome da banda. O restante da postagem foi conservado, por isso os nomes diferentes ente o título e o texto. Mais detalhes aqui.

Algumas bandas duram menos do que deviam durar. Certas vezes elas acabam antes mesmo de atingir seu potencial máximo, ou um maior nível de maturidade.

MAS O VIET CONG JÁ ACABOU?

Não. Calma. Não estou falando deles. Tudo bem que há a possibilidade de o nome “Viet Cong” desaparecer, mas não o grupo. Explico isso lá na frente.

Estou falando do Women. Eles surgiram em 2007 e lançaram apenas dois discos, até a coisa degringolar. Rolaram várias brigas internas e a trágica morte do guitarrista Chris Reimer em 2012 foi a pá de cal para selar o encerramento das atividades.

A proposta dos caras do Women era bastante interessante, neles era possível encontrar muitas doses de experimentalismo, barulho, pop e psicodelia. O som, difícil de digerir por ouvintes mais ocasionais, usava e abusava de recursos do pós-punk.

Quando os canadenses anunciaram o fim do grupo, a sensação foi de que abandonaram os gramados muito cedo. É como se o craque do time fosse substituído no intervalo do jogo.

E DAÍ?

E daí que o Viet Cong é praticamente uma continuação do Women. Matthew Flegel e Michael Wallace voltaram a tocar juntos, e chamaram Scott Munro para assumir a guitarra e Daniel Christiansen os vocais.
“O Women trocou o nome e 50% dos seus integrantes, mas a essência continua a mesma. Isso pode ser visto como um coisa boa, ou não?”
Por isso, o autointitulado álbum lançado em 2015, Viet Cong, soa muito como uma continuação natural do que estava sendo feito pelo Women. É a volta dos que não foram.

A POLÊMICA DO NOME

Antes de tudo, lembre-se de uma coisa. Vivemos na era das redes sociais. O que isso significa? Que qualquer babaca pode ter um blog (eu sou a prova disso), e que o choro, mais do que nunca, é livre. Estamos oficialmente na era do mimimi.

Os vietcongues foram, de maneira bem resumida, um exército formado por sul-vietnamitas que lutaram na Guerra do Vietnã contra os Estados Unidos e o lado sul do país. Existia uma forte oposição do tio Sam ao lado norte do Vietnã, por causa da sua tendência fortemente comunista.
Importante: Estou resumindo a história, hein! Há muito mais por trás disso, mas se quiser saber mais, existem fontes melhores do que um blog sobre música.
Mandado foi ao Vietnã, lutar com vietcongues. Ra tá tá tá tá, ra tá... (loop infinito).

Enfim, a banda leva o nome desses guerrilheiros que, nada mais nada menos, defendiam o país de uma abusiva invasão estrangeira. Como estavam em uma guerra, obviamente falamos de violências que aconteciam dos dois lados. Acima você pode ver a foto de um vietcongue capturado pelo exército norte-americano.

Por julgarem o nome como sendo muito ofensivo, muitas pessoas passaram a protestar nos shows do Viet Cong, com cartazes e boicotes. A alegação deles é de que o nome da banda remete a atrocidades que aconteceram no passado.

Bem... O tal nome ofensivo me levanta uma dúvida. Até que ponto esquecer é o melhor remédio para a história? Certas coisas deveriam ser sempre lembradas, para não serem repetidas.
O nome Viet Cong é excelente para lembrar a todos da estupidez que foi essa guerra e de quantas vítimas morreram inutilmente. O nome não é uma apologia, é um alerta.

Por fim, quantas bandas de nomes até mais ofensivos nasceram, e ninguém deu a mínima? Dead Kennedys? Ira!? Agent Orange? New Order? Joy Division?
Mas agora vivemos na era do mimimi. Qualquer coisa é motivo pra ficar putinho e fazer protesto. Ainda mais quando falamos de um nome que lembra o sapeco levado pelos gringos naquela guerra (se o nome fosse American Army, estaria tudo lindo, né?).

Ah. Fico puto com essas coisas. Dois pesos, duas medidas.
Os canadenses do Viet Cong, por estarem sofrendo com os protestos e boicotes, já anunciaram a mudança de nome. Ainda não disseram qual será o novo, mas em um comunicado deixaram bem claro que “nossa banda vive de música, arte e música são uma expressão criativa, mas nosso nome não é nossa causa e nós não vamos lutar por ele”.

VOLTANDO A FALAR DE MÚSICA

Alonguei-me demais na questão do nome, mas precisava desabafar. Vamos voltar ao que interessa.
Cala boca é o caramba! Aumenta o volume, que o som é bom!

A estética do Viet Cong é basicamente baseada no movimento pós-punk, sendo possível encontrar vertentes do noise rock, art rock, e bastante experimentação.
Ou seja, eles andam em uma linha muito tênue. É muito fácil soar ridículo ou totalmente desastroso quando se propõe um som desse tipo. Fico feliz em dizer que essa linha não é atravessada em nenhum momento.

A abertura, com Newspaper Spoons puxa uma bateria completamente abafada e um cântico quase militar. A base é repetitiva e os versos quadrados. Aí entram os barulhos de guitarra e sei lá mais o que, trazendo caos à organização. É como uma marcha que, sem forças, vai se desintegrando.

March of Progress é uma das minhas favoritas. Acho que ela escorrega na introdução, que se estica por desnecessários quase 3 minutos. Mas quando o vocal entra, o resultado é simplesmente fantástico.
Há uma junção de estrutura simples, com detalhes que podem ser facilmente perdidos em uma audição mais distraída, e uma letra acima da crítica.

Outra música que eu gostaria de destacar positivamente é Silhouettes. A letra é sobre estar bêbado: “Hey, há alguma consequência/ Em se perder no tempo internacional?/ Tiradas espontâneas e incontroláveis/ Estou tentando desfazer as coisas que foram feitas”.
A letra inteligente, brincando com palavras, e a levada bem marcada, farão qualquer um que já passou por pelo menos um porre, se identificar com a situação.

Viet Cong tem um único deslize significativo. Mais especificamente, um deslize de 11 minutos. É a última faixa, Death. Uma jam experimental que deve ter sido bem divertida para os músicos, mas é cansativa demais para os ouvintes.

A CONTINUAÇÃO

O Women não acabou. Pelo menos é o que parece ao ouvirmos o disco de estreia do Viet Cong. Não estamos falando de novatos. Eles sabem o que fazer, e o fizeram muito bem.
O problema talvez seja que alguns esperavam algo novo, e não uma continuação.

Pode ser. Mas não é meu caso. Foi uma ótima continuação, e que venha o próximo, seja lá qual for o nome que escolherem para isso.

Tell me, tell me, tell it to me, tell it straight: What is the difference between love and hate?

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Viet Cong
Ano: 2015
Álbum: Viet Cong
Gênero: Pós-Punk
País: Canadá
Integrantes: Daniel Christiansen (guitarra), Matthew Flegel (vocal e baixo), Michael Wallace (bateria), Scott Munro (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Newspaper Spoons
2 - Pointless Experience
3 - March of Progress
4 - Bunker Buster
5 - Continental Shelf
6 - Silhouettes
7 - Death



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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