Rival Sons - Hollow Bones (2016): Meh.


“Meh”. Essa é mais uma daquelas interjeições que não tem uma tradução exata. Uma coisa “meh” é uma coisa “meh”. Simples assim.
É difícil explicar o que isso quer dizer, ao mesmo tempo todos entendem o significado.

Ouso dizer que “meh” é um conhecimento inato, um instinto que a humanidade carrega desde os seus primórdios.

PROMESSAS

Promessas são nada mais que promessas. Isso todo o bom e mau brasileiro sabe como ninguém. Hollow Bones começa prometendo, de maneira ambiciosa. De cara a faixa título anuncia: “Essa daqui vai roubar sua língua/ Essa aqui vai quebrar seu salto/ Você vai recolher seus dentes no chão/ E colocá-los de volta na boca como se fosse fácil”.

Muita pompa. Pouca pampa.
O Rival Sons ainda parece carregar o injusto rótulo de novo Led Zeppelin, ainda continua fazendo capas absurdamente fodas, e ainda mostra que a ambição fica apenas nas palavras, ao puxar um hard rock sem novidades.
“Falta muito para o Rival Sons ser o novo Led Zeppelin.
Além da genialidade, também faltam 72 acusações de plágio e umas 13 condenações (se eu não errei as contas).”
A banda nunca negou suas raízes setentistas, e eu posso estar sendo injusto ao esperar grandes surpresas.
Mas aí eu me lembro do Graveyard. Eles são o contra exemplo para mostrar como não estou sendo injusto. É possível surpreender dentro do hard rock.

AS TRÊS MARIAS

Por caminhar sem riscos, uma característica de Hollow Bones é a consistência. Todas as faixas ficam em uma linha muito próxima. Nada salta aos olhos positivamente ou negativamente. É tudo meio “meh”.
McKayla Maroney, após ouvir Hollow Bones. Cara de "meh".

Positivamente, são três as músicas que brilham um pouco mais (seriam quatro, se não fosse um pequeno detalhe).
As três são: Tied Up, acertadamente a música de trabalho escolhida pelo Rival Sons; Thundering Voices, puxando uma pegada mais moderna e bateria arrebentando; e Hollow Bones Pt.2, variando bem entre o agito do hard rock e compassos mais suaves.

O quarto destaque seria Black Coffee, mas essa faixa não pôde se juntar às três citadas. O motivo é simples...

Quando ouvi achei o melhor momento de Hollow Bones.
Como nem tudo é o que parece, fui pesquisar e descobri que essa música não é do Rival Sons. Existe uma versão idêntica, gravada em 1973 pela banda Humble Pie. Já a versão original se encontra no álbum Feel Good (1972), por Ike & Tina Turner.

A MELHOR É O PIOR

Oras, se a melhor música de Hollow Bones é um cover dos anos 70, nós temos uma constatação muito grave: Black Coffee simplesmente prova a incapacidade do Rival Sons em se destacar compondo hard rock setentista.

Por essas e por outras, a banda não conseguiu superar a barreira do “meh”. Aliás, conseguiu. Mas na única vez em que fez isso, foi na única vez em que eles não compuseram a música. Apenas plagiaram.

Quê? Plágio? Ih rapaz, vamos voltar às comparações com o Led Zeppelin.

I come back from my global year; with a ring to set it all straight. But what I saw through my screen door; is more than any man can tolerate.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Rival Sons
Ano: 2016
Álbum: Hollow Bones
Gênero: Hard Rock
País: Estados Unidos
Integrantes: David Beste (baixo), Jay Buchanan (vocal), Michael Miley (bateria), Scott Holiday (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Hollow Bones Pt.1
2 - Tied Up
3 - Thundering Voices
4 - Baby Boy
5 - Pretty Face
6 - Fade Out
7 - Black Coffee
8 - Hollow Bones Pt.2
9 - All That I Want



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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