Música: Um conhecimento inato ou adquirido?


Na filosofia do conhecimento, existem duas vertentes básicas: Os racionalistas e os empiristas.

Como aqui é um reles blog sobre música, não vou me aprofundar no assunto, por isso não me crucifiquem pelas informações extremamente superficiais. Mas é mais ou menos assim...

O TIME DA RAZÃO

Os racionalistas defendem que o ser humano pode construir todo o conhecimento sem a necessidade de contato com o mundo, a chamada “sensação externa”. Tudo o que precisamos é do pensamento (cogito).
Pelo simples uso da razão, pode-se chegar a qualquer conhecimento extremamente confiável.

Mas a própria razão tem que partir de algum princípio, certo? Esses princípios, seriam as chamadas ideias inatas (ou natas, tanto faz nesse caso). São conhecimentos que nós temos desde o nascimento, mesmo sem nunca ter tido contato com o objeto em questão.

Alguns exemplos de ideias inatas: O infinito e a perfeição. Você já viu o infinito? Já teve contato com ele? Mas mesmo assim sabe do que se trata. E a perfeição? Já viu algo perfeito, para saber como é a perfeição? Não vale responder essa se você estiver apaixonado.

Alguns exemplos de racionalistas são Descartes e Leibniz.

O TIME DA EXPERIÊNCIA

Já os empiristas acreditam que as experiências são fundamentais para a construção do conhecimento. Se um cara nascer em uma caixa escura e fechada, ele será incapaz de desenvolver qualquer tipo de pensamento. O homem não nasce com nenhuma ideia inata, ele nasce apenas com a capacidade de se desenvolver.

É como uma “tábula rasa”: O ser humano nasce vazio, o que temos é a competência de encher essa tábula. E com a experiência, é exatamente isso que acontece... Vamos preenchendo-a.

Você só aprendeu que o fogo queima porque alguém te disse isso (e você acreditou) ou porque você mesmo experimentou essa sensação. Ninguém nasce sabendo disso.

Os principais exemplos de empiristas são Locke e Hume.
Uma pessoa cega, surda, sem tato e sem olfato... Seria capaz de pensar?

A RELAÇÃO COM A MÚSICA

Uma criança como Tommy (personagem criado pela banda The Who), uma criança que não consegue perceber o mundo à sua volta, seria capaz de ter algum tipo de conhecimento?
Complicado, não?
Para racionalistas: Sim! Para empiristas: Não!

Eu não consigo formar uma opinião sobre o assunto. Confesso não fazer a mínima ideia de quem está certo e quem está errado...
Mas esses dias eu vi um vídeo muito interessante, que me faz levantar a questão do título do post. A música (na sua forma mais primitiva) é inata ou adquirida em nossa “tábula rasa”?

No vídeo (gravado em um festival de ciência), o palestrante Bobby McFerrin apresenta duas notas musicais para a plateia. A partir dessas duas notas, ele faz com que a plateia, intuitivamente, construa mais nove notas de uma escala pentatônica.

Tal fato parece besta, mas... Por que toda a platéia reproduz as mesmas notas corretas ao mesmo tempo?
Tinha tudo para ser um caos. Cada um poderia cantar a nota que bem entendesse, dentro de qualquer outra escala existente. Por que todos foram na pentatônica?

Assistam ao vídeo:


A RAZÃO TEM RAZÃO?

E aí, será que Descartes e Leibniz estavam corretos? Nesse vídeo, ao ver todos reagirem da mesma forma, parece bem claro que a música é um conhecimento inato.

Ou será que a escala pentatônica é apenas a escala de mais fácil acesso em nossa “tábula rasa”?
Apesar de todos usarem a mesma escala, todos já entraram em contato com ela ao menos uma vez na vida, mesmo sem saber.

Esse experimento funcionaria com pessoas que nunca ouviram uma escala pentatônica antes? Essa seria a prova definitiva. Procuro voluntários.

Quem usa o Google Plus?

Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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