Seven Impale - City of the Sun (2014): Prog jazz fusion bagunça.


Algumas poucas bandas me surpreendem positivamente. A possibilidade de isso acontecer segue duas hipóteses: Fazer algo extremamente bom, ou diferente.
Uma terceira hipótese seria juntar os dois.

Ainda é possível isso acontecer em pleno século XXI, aonde tudo já foi experimentado e tentado?

INFINITAS POSSIBILIDADES

Sim. É possível. Só não é provável.
É como pegar um milhão de macacos e treiná-los para baterem as mãos contra um teclado. Certamente sairão letras aleatórias que não farão nenhum sentido, algo como “efiunuz hb esc” (bati as mãos no teclado e saiu isso). Mas existe a ínfima possibilidade de algum deles, em algum momento, escrever um romance de Shakespeare.
Essa é a beleza do nosso universo de incertezas e infinitas possibilidades.

O Seven Impale tá aí para provar que o novo e o bom podem coexistir. City of the Sun mergulha no jazz e no rock progressivo, fazendo uma bagunça algumas vezes organizada e em outras vezes nem tanto.
“A receita para fazer um som igual ao dos caras? Pegue John Coltrane e adicione Deep Purple. Misture com Frank Zappa e ferva ao molho prog de King Crimson. Sirva ao som de Van der Graaf Generator.”
A própria banda, em uma entrevista ao Progarchy assumiu que seu som estava mais ligado ao acaso do que algo proposital. “O progresso e direção musical do Seven Impale esteve mais baseado na aleatoriedade do que nossas intenções. Sempre quisemos fazer um som complexo, mas muitos detalhes do álbum saíram de experimentações no estúdio ou erros de gravação”.
“Um milhão de macacos escrevendo aleatoriamente...” – Isso se chama blogosfera.

ECONOMIA?

Os noruegueses trouxeram um álbum econômico na sua estreia. City of the Sun tem apenas cinco músicas. Talvez tenha sido econômico demais.
Ok, apesar de poucas, as músicas são longas e o total dá uns bons 50 minutos de audição.

Se o tempo total me agrada, não posso dizer o mesmo da forma em que esse tempo é dividido. As faixas ficaram mais longas do que precisariam ser.

Peguemos como amostra a faixa título, Oh, My Gravity!: A abertura jazzeada é sensacional e um bom cartão de visitas. As guitarras entram no segundo minuto, logo depois o vocal. E a música vai progredindo até o ápice que fica próximo aos cinco minutos.
Pronto. Está bom. Ela não precisaria ter dez minutos. Sete já seria o suficiente.

Então se o Seven Impale parece econômico ao escalar apenas cinco músicas, ele não foi tão econômico assim ao decidir sobre a duração delas.

VIVA O JAZZ

Sou um grande fã do jazz não puro. Ou seja, quando ele é misturado com outros ritmos. Talvez isso seja um sacrilégio para os jazzistas. É algo como misturar um bom uísque com Coca-Cola.
Bem, a segunda mistura é de fato absurda. O mesmo vale para a vodka, quem é o idiota que coloca leite condensado na vodka?

Voltando ao jazz, Windshears mistura o gênero sagrado com um rock progressivo bem bagunçado, em alguns momentos me lembrando de passagens do disco Mammoth (Beardfish).
Essa mistura soa sensacional.

Eschaton Horo já é mais densa e organizada do que as duas faixas anteriores, deixando o caos para apenas alguns momentos, ao invés de ser dominante. Entretanto, é quando o caos começa que o bicho pega! Ele vai crescendo de maneira desordenadamente correta e termina ao som de berros, literalmente berros.

Tudo vai bem até aqui. Porém o álbum perde força nas últimas duas faixas. Extraction ainda é boa, apesar de não ser ótima como as anteriores. O vocal gritado de Stian Økland me irrita e é meio desnecessário. Depois de uma música tão densa quanto Eschaton Horo, eles deveriam ter mandado algo mais suave.

E viva o jazz, mais uma vez! Totalmente impuro. Alguns o chamam de jazz fusion, e ele aparece causando em God Left Us for a Black-Dressed Woman. A faixa de encerramento começa muito bem, mas cai em um loop de virtuosidade que pouco agrega do meio para o fim.

O ACASO

Colocar o mérito no acaso, como fez a banda em entrevista, é mais modéstia do que realidade.
O acaso até pode ajudar, mas jamais irá fazer com que um macaco escreva Shakespeare, ou que eu escreva um bom texto.

Os noruegueses do Seven Impale miraram no caos e acertaram o alvo. De alguma forma esse prog jazz zoneado funcionou. Há algumas escorregadas, mas o diferente merece ser exaltado.

The future depends on the past.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Seven Impale
Ano: 2014
Álbum: City of the Sun
Gênero: Rock Progressivo
País: Noruega
Integrantes: Benjamin Mekki Widerøe (saxofone), Erlend Vottvik Olsen (guitarra), Fredrik Mekki Widerøe (bateria), Håkon Vinje- Orgel (sintetizador), Stian Økland (vocal e guitarra), Tormod Fosso (baixo).

MÚSICAS:
1 - Oh, My Gravity!
2 - Windshears
3 - Eschaton Horo
4 - Extraction
5 - God Left Us for a Black-Dressed Woman



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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