Black Mountain - IV (2016): O perigoso número 4.


O número quatro é emblemático para qualquer fã de hard rock. Se você for um, e eu falar para você de um álbum chamado IV, você muito provavelmente vai pensar no Led Zeppelin.
Talvez tenha sido essa a intenção do Black Mountain, mas não deixa de ser um risco muito grande. As comparações tendem a ser cruéis.

Esses canadenses têm bolas. Ou não tem miolos.

REFERÊNCIAS OU COINCIDÊNCIAS?

Além disso, o álbum número quatro tende a ser significativo para muitas bandas. É uma coisa meio mística, confesso, mas aparentemente as bandas atingem sua maior maturidade no quarto lançamento, trazendo obras que as alçam a um novo patamar.

Precisa de exemplos? Além do já citado caso do Led, lembre-se dos quartos desses dinossauros: Deep Purple lançou o In Rock. Rush lançou o 2112. Jethro Tull com Aqualung. Molejo gravou o Brincadeira de Criança... E a lista vai por aí.

Outra referência, que me veio logo quando vi a capa, foi da banda britânica UFO. A capa do Black Mountain tem uma estética muito similar, lembrando um remake futurista do álbum Phenomenon.

Todas essas referências de lendas do hard rock tem uma única finalidade: Deixar você perdido. Porque quando a música rolar, você verá que nem tudo é o que parece.
“No álbum IV do Led Zeppelin há uma música que chama Black Dog e outra chamada Misty Mountain Hop. Repare: Black Dog + Misty Mountain Hop = Black Mountain. Black Mountain tem 13 letras. Coincidência? Acho que não.”
Black Mountain x UFO.

UM UNIVERSO PARALELO

Toda a estética, envolvendo a capa e os nomes, cria uma expectativa. E ela cai por terra quando o botão play é acionado.
Eu esperava uma pegada bem hard rock setentista e o Black Mountain não vai por esse caminho.

Logo na abertura, Mothers of the Sun praticamente te derruba da cadeira. Um sintetizador e uma atmosfera dramática dão as caras, interrompidos por uma guitarra distorcida. Muito distorcida e genialmente breve. Logo a guitarra se vai e entra o vocal de Amber.
A voz dela funciona muito bem e a música soa quase como um culto em certos momentos, enquanto em outros adquire um tom bem mais pesado.

Como já disse, eu não esperava me deparar com essa sonoridade. Primeiro que, talvez até por certo preconceito meu, jamais esperaria trombar com um vocal feminino. E o segundo é a levada mais psicodélica, que pende para um space rock em muitos momentos, e para o stoner em outros.

O Black Mountain nos mostra um universo paralelo. Esqueça tudo o que você estava esperando encontrar, e simplesmente embarque na viagem.

UMA NOTÍCIA RUIM E UMA BOA

Bem, nem tudo são flores. Tenho uma notícia ruim e uma boa para você. Vou começar pela ruim: Mothers of the Sun é a melhor faixa do trabalho. Isso significa você já ouviu o que há de melhor em IV.
Agora a notícia boa: Apesar de não chegarem ao mesmo nível, IV está recheado de músicas excelentes que valem ser ouvidas.

A segunda música é praticamente um proto-punk, surpreendendo novamente por ser totalmente diferente da abertura. Nela Amber adota um quê meio de Joan Jett. Florian Saucer Attack é bem agressiva e agitada, e um tanto quanto manjada.
O clipe de Florian Saucer Attack é mais louco que Bob Marley em Amsterdã.

Os pontos mais fortes são quando o IV consegue conciliar bem a psicodelia e o space, sem abusar demais dos sintetizadores.
Um desses abusos ocorre em (Over & Over) The Chain, com uma intensidade acima do suportável.

Liricamente o Black Mountain tem seus bons momentos, como no caso de Cemetery Breeding. Outras canções partem para um lado mais meloso, Crucify Me é interessante e parece ter saído diretamente de Blunderbuss (Jack White).

Por fim, You Can Dream e seu refrão emprestado de Dream Baby Dream, da banda de eletro-punk Suicide, é a prova da capacidade do Black Mountain de beber das mais variadas referências e paradoxalmente produzir um som quase único e facilmente reconhecível.
Até que me mostrem o contrário, não conheço nenhuma banda que transite por tanta coisa sem perder a essência do seu som. Ponto para os canadenses.

FUGINDO DO NÚMERO 4

Pois é, apesar do número 4 do nome, o Black Mountain consegue escapar ileso de qualquer tipo de comparação. Simplesmente porque não é possível fazer nenhuma.

A referência fica apenas no visual, não há uma sonoridade minimamente similar à de bandas como Led Zeppelin e UFO.

Parece que o nome IV é mais uma provocação. Uma provocação em que eu, e provavelmente muitos, caíram.

This city screams like heaven is gone haunted. And I am waiting for that girl who told me once; she would love me forever.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Black Mountain
Ano: 2016
Álbum: IV
Gênero: Rock Psicodélico / Space Rock
País: Canadá
Integrantes: Amber Webber (vocal), Jeremy Schmidt (teclado), Joshua Wells (bateria), Matthew Camirand (baixo), Stephen McBean (vocal e guitarra).

MÚSICAS:
1 - Mothers of the Sun
2 - Florian Saucer Attack
3 - Defector
4 - You Can Dream
5 - Constellations
6 - Line Them All Up
7 - Cemetery Breeding
8 - (Over & Over) The Chain
9 - Crucify Me
10 - Space to Bakersfield



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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