Preocuppations - Preocuppations (2016): Ansioso.


Viet Cong foi agressivo (e não estou falando do nome), foi urgente, foi denso. Não foi por acaso que entrou na nossa invejável lista de melhores do ano.

MINIMALISTA

A continuação era aguardada com ansiedade. Em partes pela música, em partes pela polêmica envolvendo um provável novo nome.

O novo nome veio, e junto uma estética um pouco diferente. Agora o ar é mais minimalista, dá para perceber isso pela capa simples, com poucos traços, e as músicas sendo nomeadas com apenas uma palavra.

Em um ano, o Viet Cong sumiu do mapa para virar o Preoccupations. Os integrantes são os mesmos (exceto pela participação especial de Dan Boeckner), já a sonoridade mudou um pouco.
Dan Boeckner, colocado de castigo após cortar sua franja emo.

INDUSTRIAL

O pós-punk ainda é o motor do conjunto, apesar de rolar alguns flertes com outros subgêneros do movimento, entre eles o industrial e o darkwave.

Apesar da sutil mudança, os canadenses não conseguem surpreender tanto quanto na sua estreia. A agressividade deixa espaço para um tom mais melancólico e monótono.
Mudanças à parte: Incomodou-me o fato de o álbum soar meio desorganizado. Algumas coisas parecem não fazer sentido ao terem sido expostas da forma que foram.
“O produtor deve ter dito que eles só poderiam mudar o nome se tivessem um álbum novo, para dar mais impacto. E então eles aceleraram as coisas... Isso explicaria um pouco a certa bagunça.”
São nove músicas. As três primeiras abrem muito bem o trabalho, com destaque especial para Anxiety e sua letra perturbadora (especialmente se você for um cara ansioso), narrando com exatidão os sintomas e sentimentos desse mal.

PERDIDO

A quarta música é Memory, e ela começa sendo a minha favorita de todos os tempos do Viet Cong Preoccupations.
“Você não precisa pedir desculpas/ Por todas as coisas que você falhou ao fazer”: Esse é o refrão e ele parece ser uma premonição, pois nessa faixa a banda falha miseravelmente.

A música se alonga por infinitos 11 minutos, sendo que poderia tranquilamente ter parado no sexto. Os últimos 5 minutos não dizem absolutamente nada... É apenas um sintetizador travado em um loop.
Serão 5 minutos perdidos da sua vida.

É nesse ponto que Preoccupations começa a ficar preocupante, confuso e meio sem propósito. Degraded até retoma bem o álbum, com uma pegada mais parecida com a do disco anterior. Só que Sense e Forbidden ficam totalmente deslocadas, com seus menos de dois minutos de duração.
A banda poderia ter explorado elas de maneira muito melhor. No final a minha cara era de “ué, só isso?”.

O final, com Fever, também foi um pecado mortal. Repetir o refrão 11 vezes está longe de ser saudável.

PECADOS

Considero esse trabalho como apenas razoável. Não chegou nem perto do debut Viet Cong. Apesar dos ótimos momentos, os canadenses não conseguiram organizar bem as ideias e muita coisa aparece apenas para encher linguiça ou com a sensação de não ter sido terminada.

Talvez tenha sido a pressa para lançar logo o novo nome. Ou talvez tenha sido a ansiedade descrita na primeira música?

With a sense of urgency and unease; second-guessing just about everything.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Preoccupations
Ano: 2016
Álbum: Preoccupations
Gênero: Pós-Punk
País: Canadá
Integrantes: Daniel Christiansen (guitarra), Matthew Flegel (vocal e baixo), Michael Wallace (bateria), Scott Munro (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Anxiety
2 - Monotony
3 - Zodiac
4 - Memory
5 - Degraded
6 - Sense
7 - Forbidden
8 - Stimulation
9 - Fever



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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