Sorceress: A rainha do submundo.


"Controle. A sede primitiva que queima todas as gargantas das mulheres, negado pela era dos homens. Ouça a voz do inferno, querida: Você é uma rainha, não espere um rei." (Emily Palermo)

Lançado em 2016, Sorceress foi um álbum bastante controverso. O Opeth explorou sonoridades que não foram unanimidade entre seus fãs. Como toda unanimidade é burra, eu encaro isso como um ótimo sinal.

E tudo começou pelo single homônimo ao álbum. Com um vídeo meio bizarro, a letra, analisada de maneira bem superficial, nos leva a crer que os suecos estão falando de uma mulher má, traidora e cruel. Será que é só isso mesmo, ou eles querem dizer algo além do clichê?

Apesar de o compositor Mikael Åkerfeldt não revelar muita coisa quando perguntado sobre quem seria a tal feiticeira que nomeia o trabalho deles, ele confessou que Perséfone foi uma inspiração. Não é por acaso que a primeira música do álbum tem esse nome, e ela funciona como uma introdução para Sorceress.

Na mitologia grega, Perséfone é considerada deusa das ervas, flores, frutos e perfumes. Não só isso: É também a rainha do submundo.
A história de Perséfone está diretamente ligada às quatro estações do ano.

FEITICEIRA
Eu sou um pecador e adoro o mal
O sangue é fino, mas você nunca saberá
Você pode confessar que prospera no caos?
Você é uma feiticeira e seus olhos estão nos perdidos

Na primeira linha o Opeth deixa claro que a história será contada sob o ponto de vista de Hades, o retratando como pecador e adorador do mal.
Hades é deus do submundo e dos mortos, por isso muitas vezes é erroneamente associado a uma imagem malvada e cruel.

O monólogo começa com ele questionando Perséfone se ela prosperará no caos, que é nada mais e nada menos do que a sua casa (o inferno). E Perséfone não queria ir para lá, pelo menos inicialmente.

Filha de Zeus com Deméter, Perséfone era dotada de grande beleza. Hades, encantado por sua feminilidade e brilho, a pediu em casamento.
Zeus vetou o pedido. Com a negativa, Hades ficou meio injuriado e resolveu radicalizar: Emergiu da terra e raptou-a, levando-a até o submundo para ser sua esposa e rainha.

Mas você está morrendo
Está em seus olhos
Você é uma charlatã
Você consegue tudo o que deseja
Você é uma meretriz
Leva veneno em seu beijo

Inconsolável com o sequestro, Perséfone recusa-se a ingerir qualquer tipo de alimento, e começa a definhar.
Ao mesmo tempo Hades cultiva um sentimento ambíguo por ela. Ele a ama, mas sabe dos riscos que sua beleza oferece. Ela pode conseguir qualquer coisa que desejar com a sedução.
Imagem do clipe de Sorceress.

Implore perdão
Com uma adaga em sua mão
Semeou suas sementes mortas
E colhe terras moribundas
Mas você está chorando
É só o vício

Quando a mãe de Perséfone (Deméter) descobre o sumiço e paradeiro da filha, ela abandona as suas funções no Olimpo.
Culpando o solo, por ter se aberto para que a filha pudesse ser raptada por Hades, Deméter usa seus poderes como deusa da agricultura e faz com que os grãos não germinem, enquanto a população sofre com as consequências da fome.

Por outro lado, Perséfone começa a aceitar sua situação no inferno, não achando mais de todo mal viver no submundo. Ela ainda chora, mas talvez seja uma questão de hábito.
O que não fica claro é se Perséfone está se apaixonando por Hades, ou se ela está se apaixonando pelo poder que exerce nele.

Recipiente vazio
Esgotado de esperança
E nada menos no final
Uma função
Você já odiou como eu?
Sabe que eu espero ausência de mentiras
Cuide da sua língua ansiosa
Ataque-me por trás
Sussurros enigmáticos
Controle fútil desolado
Como uma irmã gêmea
Adaptando-se em uma função

Quando Hades pergunta sobre ódio e cita a nova função de Perséfone, já está claro que ela aceitou seu novo papel.
Na mitologia essa aceitação é retratada quando ela encerra sua greve de fome, e aceita romãs oferecidas por Hades.
A aceitação de Perséfone é representada pela ingestão de romãs.

Você é uma assassina
Aumenta sua sede de sangue
Você é uma colheitadeira
Se aproxime para espalhar doença
E você está se escondendo
Eu a ouço chorar

Na última estrofe o Opeth mostra as duas funções exercidas por Perséfone, a de assassina (como representação de rainha do submundo) e a de colheitadeira (mostrando seu lado de deusa das ervas e flores).

Essas duas funções acontecem porque Zeus é obrigado a intervir na situação de Perséfone. Como Deméter havia desistido de suas funções de deusa da agricultura e toda a terra agora estava estéril, Zeus desce do Olimpo e negocia com Hades.
Hades cederia Perséfone por seis meses ao ano, para que ela pudesse ficar ao lado da sua mãe (e assim a terra voltaria a ser fértil). Já os outros seis meses, ela passaria no submundo, exercendo seu papel de rainha.

É assim que nasce o mito das estações. Os seis meses em que Perséfone passa no inferno representam o inverno e outono, pois Deméter está longe da filha e deixa o solo descuidado. Quando Perséfone volta, acontece o verão e a primavera, já que Deméter volta a trazer prosperidade ao solo.

Como podem ver, a letra de Sorceress é muito mais do que parece ser! Agora com licença, já que falei das 4 estações, vou aproveitar o verão...
Esse papo de verão lembrou-me do que há de melhor nele... Cerveja!

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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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