Amorphis - Under the Red Cloud (2015): Escalas sem inspiração.


O Amorphis é uma daquelas bandas que já não precisam provar mais nada para ninguém. Sua história tem pelo menos três álbuns que tem altíssima representatividade na cena metal, além de um estilo próprio, e já consolidado.

SECOU A FONTE DA INSPIRAÇÃO?

Entretanto, apesar de todo o passado glorioso, já faz algum tempo que o Amorphis não corresponde mais às expectativas que giram em torno de sua reputação.

Não que os últimos discos tenham sido ruim, não me leve a mal. O recém-lançado Under the Red Cloud possui um material muito proveitoso.
O que quero dizer é que falta aquele algo a mais. Falta o toque de Midas do Amorphis. Existem poucos momentos capazes de fazer você parar e soltar aquele palavrão elogiando a banda.

O grupo finlandês mantém a tradição de misturar traços do folk metal e death metal dentro de uma base construída no metal progressivo.
Por isso as estruturas são bastante complexas, cheias de quebras de tempo, variações... Em Under the Red Cloud o tédio passa longe.

Ao mesmo tempo em que é elogiável, a complexidade acaba se tornando vilã. Enquanto as escalas celtas ou árabes permeiam entre os arranjos de piano e flauta, com uma melodia precisa, tudo soa muito artificial.
É esse o ponto, parece que você está praticando um exercício de guitarra, daqueles do tipo ‘10 escalas medievais para avançados’.

Tudo isso é difícil de explicar, por ser algo muito subjetivo, mas essa é a sensação que eu tive ao ouvir boa parte de Under the Red Cloud. A música é plástica e artificial. E esse exagero técnico dificulta a imersão completa no disco.
Será que o poço secou definitivamente?

AS MÚSICAS

A abertura é bem empolgante, com uma linha suave de piano e um belo acompanhamento de guitarra rolando no fundo. Mas a primeira faixa, Under the Red Cloud, fica melódica demais pro meu gosto, principalmente quando entra no refrão. Mesmo as entradas guturais não conseguem quebrar essa estrutura.

The Four Wise Ones e Bad Blood melhoram o cenário. Ambas flertando bastante com o death metal, e mostrando todo o potencial vocal de Tomi Joutsen.
Outros dois destaques ficam mais para o fim do álbum, e são as faixas Enemy at the Gates e Tree of Ages. Ambas exploram mais o lado folk.

A casa cai mesmo, é no meio do disco, com Death of a King (clique aqui para conferir). Sonzaço!
A melodia e a letra se conversam muito bem, a música não soa como um amontoado de escalas, e as quebras estão perfeitamente encaixadas. A minha crítica de que Under the Red Cloud parecia muito artificial em certos momentos cai por terra em Death of a King.
Esse é o momento mais autentico e empolgante do disco.
“Se sua cabeça não balançar para frente e para trás ao som de Death of a King, então você está obviamente morto. Ou, com algum problema muito grave na coluna cervical. Melhor procurar um médico.”

COELHOS DA CARTOLA

Under the Red Cloud pode não ser o trabalho mais marcante do Amorphis, mas como disse lá no começo desse texto, isso não significa que é dispensável...
Os fãs do gênero tem um ótimo material em mãos para apreciar e cozinhar os tímpanos. A banda mostrou que mesmo não estando no auge da inspiração, são capazes de tirar coelhos da cartola. Death of a King é a prova disso.

When the dawn is bright and new, and the day is full of hope; it's easy to continue your journey, like a King on his royal way.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Amorphis
Ano: 2015
Álbum: Under the Red Cloud
Gênero: Metal Progressivo
País: Finlândia
Integrantes: Esa Holopainen (guitarra), Jan Rechberger (bateria), Niclas Etelävuori (baixo), Santeri Kallio (teclado), Tomi Joutsen (vocal), Tomi Koivusaari (guitarra).

MÚSICAS:
1 - Under the Red Cloud
2 - The Four Wise Ones
3 - Bad Blood
4 - The Skull
5 - Death of a King
6 - Sacrifice
7 - Dark Path
8 - Enemy at the Gates
9 - Tree of Ages
10 - White Night



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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