Riverside - Love, Fear and the Time Machine (2015): Apesar do tropeço.


Quando os poloneses lançaram seu quinto trabalho, Shrine of New Generation Slaves, no ano de 2013, os comentários foram bastante divergentes.
Muitos não aprovaram a mudança de sonoridade da banda, que trouxe um som bem mais tranquilo e abandonou definitivamente as veias do metal. Já outros gostaram da inovação, a pegada mais calma foi vista como uma interessante mudança de rumo. Eu estou no segundo grupo.

REPETINDO OS ERROS

Love, Fear and the Time Machine foi um trabalho muito aguardado, pois ele mostraria aos fãs se essa mudança de rumo era definitiva, ou se Shrine of New Generation Slaves foi um desvio pontual.

A notícia boa foi que Love, Fear and the Time Machine mostrou que o som mais calmo e ambiental veio pra ficar.
A notícia ruim é que Love, Fear and the Time Machine repete os erros de Shrine of New Generation Slaves.

O disco lançado em 2013 me agradou de forma geral, mas haviam partes excessivamente arrastadas, e acabei descrevendo o trabalho como "um poderoso carro que corre com o freio de mão puxado".
Resumindo essa resenha, eu poderia usar essa mesma frase e parar por aqui.

O COMEÇO FOI PROMISSOR

A exceção da analogia com o freio de mão puxado pode ser aplicada nas três primeiras músicas. Por isso mesmo, Love, Fear and the Time Machine, começou como um disco extremamente promissor, e eu estava realmente empolgado com seu início.

Lost (Why Should I Be Frightened by a Hat?) abre o disco só com o vocal de Mariusz Duda, contando sobre uma queda dos céus e o encontro de um garoto, no meio de uma ilha deserta. Aos poucos os teclados vão fazendo o fundo sonoro e acompanham a bela melodia vocal.
Confesso que essa atmosfera criada e a história cantada me lembrou da obra O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry.

Não espere uma música para levantar e bater cabeça. Lost (Why Should I Be Frightened by a Hat?) é íntima e reflexiva, sua beleza está na parte lírica e no excelente trabalho da melodia.
Demorei pra entender o significado do título, “por que eu deveria me assustar com um chapéu?”. E isso será assunto para outra postagem.
Afinal, por que eu deveria me assustar com um chapéu?

A sufocante Under the Pillow vem na sequência e abre espaço para guitarras distorcidas, soando mais pesada do que o resto do disco. A letra, quando menciona que vivemos em bolhas que filtram conteúdo, já dá a deixa para a terceira faixa, #Addicted.

Com uma linha de baixo bem destacada, #Addicted é uma crítica à nossa dependência de mídias sociais. O próprio nome já sugere isso. Meio clichê, é verdade, mas ainda assim gostei bastante da letra e sonoridade.

E COMEÇA A ENROLAÇÃO

Todos os elogios ao álbum se resumem ao que acontece nas três primeiras músicas. Depois de #Addicted entra Caterpillar and the Barbed Wire, e o sentimento de que estamos em Shrine of New Generation Slaves volta à tona.

Existem bons trechos, é claro. O trabalho do Riverside é muito bom como um todo. Mas temos alguns momentos que são simplesmente inexplicáveis. Afloat, por exemplo é muito sonolenta. São três minutos sem acontecer nada que preste.
Discard Your Fear é outra faixa bem chata. Não há nada interessante e a longa letra não diz nada com nada. Parece até algum discurso da Dilma Rousseff.
“Alguns momentos de Love, Fear and the Time Machine são sono total. Uma música como Afloat, por exemplo, dá mais sono do que jogo da seleção brasileira.”
O final, com Time Travellers e Found (The Unexpected Flaw of Searching), marca uma retomada dos bons momentos.
Mas sendo bem franco, acredito que nessa altura do campeonato poucos ouvintes tenham ficado acordados até esse momento. Se você aguentou, com certeza foi movido a muita cafeína.

UM DEGRAU ACIMA

Apesar de repetir os erros, é inegável que Love, Fear and the Time Machine subiu um degrau em relação ao Shrine of New Generation Slaves.
Os lapsos de brilhantismo, principalmente da música Lost (Why Should I Be Frightened by a Hat?), mostraram do que o cada vez mais progressivo Riverside é capaz de fazer.

Deu uma leve tropeçada ao subir, mas subiu o degrau.

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FICHA TÉCNICA:
Artista: Riverside
Ano: 2015
Álbum: Love, Fear and the Time Machine
Gênero: Rock Progressivo
País: Polônia
Integrantes: Mariusz Duda (vocal e baixo), Michał Łapaj (teclado), Piotr Grudziński (guitarra), Piotr Kozieradzki (bateria).

MÚSICAS:
1 - Lost (Why Should I Be Frightened by a Hat?)
2 - Under the Pillow
3 - #‎Addicted‬
4 - Caterpillar and the Barbed Wire
5 - Saturate Me
6 - Afloat
7 - Discard Your Fear
8 - Towards the Blue Horizon
9 - Time Travellers
10 - Found (The Unexpected Flaw of Searching)



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Sobre o Rock em Balboa

Depois de anos de estudo e dedicação à engenharia, percebi que era tudo um grande pé no saco. Joguei as coisas pro ar e fui para a ilha de Balboa (pode procurar no Google, ela existe!). Agora fico deitado na rede e ouço rock o dia todo.

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